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21 de dezembro de 2014

Uma liturgia de achismos

por Bruno Eduardo Vieira Santos
Co-fundador da BNEV

A liturgia romana se encontra banhada em achismos, manipulações, fazendo com que hoje não se celebre mais um único rito, como era feito antes do Vaticano II, mas a liturgia de cada país. Sinto muito, mas tal Concílio contribuiu bastante, mesmo que indiretamente, para haver uma autodemolição da Igreja, e isso não sou eu quem diz, mas o próprio Paulo VI, Papa que continuou e encerrou o Concílio em 1965. E ele continua. Disse que ao tentar abrir as portas da Igreja, no chamado “aggiornamento” de João XXIII, para que os fiéis entrassem, entrou também a fumaça do demônio no Templo de Deus. E quão sério é isso. Veja que uma tentativa de agradar aos homens agradou também ao demônio e não ao Pai. E digo-lhe por fim que, quando se quer agradar ao mundo, não se agrada ao Senhor. Mas se se lutar para agradar tão somente ao Senhor, naturalmente, os homens de boa vontade serão agradados.
É vergonhoso chegar a uma igreja que, já pelo templo, parece um galpão ou uma igreja protestante. Entra-se nela e vê-se que se aproxima mais ainda dos protestantes: pouquíssimos símbolos religiosos (imagens, quadros, pinturas, vitrais), um altar que parece uma mesa de cozinha. E depois se inicia a Missa, o espetáculo com plateia e apresentador. Falta de zelo, de respeito por Deus. Como querem que resida ali o Senhor se os Sagrados Mistérios estão banhados na vergonha de sacerdotes manipuladores de liturgia e sacrílegos infiéis? Ao menos na liturgia Tridentina não haviam essas vergonhas, pois não existia liberdade para criatividade ou a mal interpretada inculturação litúrgica. Mas sobre esse último ponto, veja bem, para quê colocar isso para a Missa? Inculturação litúrgica nada mais é do que os cantos e língua na liturgia, e só. Nada de danças africanas nessas “Missas Afro” dizendo eles que colocaram “pequenos” aspectos da África na missa. Nada de danças sulistas na chamada "Missa gaúcha". E nem danças carregando a Bíblia, vela ou seja lá o que for. Não é inculturação, é falta de piedade litúrgica. 
Nosso Senhor quer um só culto, o agradável ao Pai. Mas como isso é possível se em cada país, ou ainda, em cada estado ou cidade, se celebra de uma forma?
E se inicia a perseguição aos conservadores. Dizem que têm medo do novo. Não. Eles têm medo é do vergonhoso progressismo litúrgico atual. Buscam guardar a sacralidade dos ritos e por isso são chamados de retrógrados. E o que dizer dos modernistas que fazem da Santa Missa um circo? São mais perigosos que material nuclear. São capazes de causar às almas a perdição eterna, levá-las a pensar que dessa forma se agrada a Deus. E a eles dão crédito e dizem que são bons e normais. Esse tipo de normal é o mesmo daqueles que, ao morrer, vão para o inferno. O modernismo  é a pior das heresias e não se pode dizer mais. Pensam que tem que ser bonito para todos, se for Jesus gostou, seguindo o ditado “a voz do povo é a voz de Deus”. Cobras venenosas! São um perigo para a fé católica, tão questionada e desacreditada hoje em dia.
Será preciso que Nosso Senhor utilize-se do “chicote de corda” para destruir essas vergonhas? Mas agora não se trata da temporalização (fazer de algo cada vez mais temporal, relativo a dinheiro e bens) do templo, mas da destruição gradual do Sacrifício de Cristo por meio de sacerdotes que manipularam e manipulam os sagrados ritos.
E infelizmente os bispos não fazem nada. Preocupam-se com questões ecológicas em plena crise de fé não só no Brasil, mas em todo o mundo. Ficam preocupados com o impacto da mineração no meio ambiente ao invés de ir contra o modernismo de tantos padres que põem danças, teatros, na missa fazendo dela um espetáculo de circo e não mais o sacrifício do Cristo. 
Vemos que Roma busca "fechar o cerco" para os modernismos litúrgicos. Entretanto, a cada ato aparece "outra coisa 'bonitinha e emocionante' que seria bom colocar na Missa". Por exemplo, no dia de Pentecostes, neste mesmo ano de 2014, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou uma carta proibindo alguns pontos do rito da paz (canto da paz, o sacerdote sair do presbitério para dar a paz, pessoas andando pela igreja inteira para desejar a paz). Alguns setores da Igreja no Brasil seguiram. Outros fingiram que não leram ou escutaram nada e outros ainda nem chegaram a saber. E é este o problema. Temos o exemplos de Bento XVI, que iniciou a "Reforma da Reforma" buscando a maior valorização e respeito pela liturgia da Igreja. E seu trabalho deve continuar. Não somente por mãos de papas, cardeais ou bispos mas também por cada um de nós. Como? Não batendo palmas na missa, não promovendo dancinhas, teatrinhos, zelando para com a liturgia se algum de vocês que leem são coroinhas, cerimoniários, ministros, etc., enfim, promover um novo olhar da liturgia da Igreja, buscando um culto uno e aos moldes do querer de Cristo: Seu sacrifício incruento realizado dignamente aqui na Terra agrandando ao Eterno Pai.

12 de dezembro de 2014

Vamos falar de liturgia. O que fazer durante a consagração? O que rezar?

  Por Dom Paulo F. Machado
Bispo diocesano de Uberlândia-MG

 
Não sou dono da Liturgia. Essa é um dom preciosíssimo que o Espírito Santo dá à Igreja de Cristo. Dou algumas orientações.
  Não convém introduzir atos devocionais pessoais, mesmo relacionados à Eucaristia, mas ouve-se atentamente, com o coração, o memorial, a recordação de todos os benefícios divinos narrados na oração eucarística. É a História da Salvação narrada, para ser ouvida com atenção. Este não é o momento de se introduzir devoções pessoais, é Cristo e sua esposa, a Igreja, que em grande e misteriosa união, se dirigem ao Pai de infinita bondade. No instante da apresentação do Corpo do Senhor e do Cálice com o seu preciosíssimo Sangue o que fazer; o que rezar?
  Será importante participar, olhando tudo o que se passa no altar. É o mistério pascal que estamos celebrando na força da fé, pela atuação do Espírito Santo. Somos chamados a fazer a experiência fundante de nossa vida cristã, levados, misteriosamente, aos pés da Cruz de nosso Redentor. Contemplamos o Transpassado, o sepulcro vazio, e jubilosos O encontramos ao Partir do Pão. O Amor do Pai, na força do Espírito, vence a morte.
  Celebramos o mistério Pascal para, imbuídos de sua força, reproduzirmos em nossa vida, a vida do Senhor, viver fraternamente e aprender que missa é Missão.
  Convém recordar o que foi escrito no Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB: “Ao menos nos domingos e nos dias festivos, cante-se em tom de exaltação a aclamação memorial. Esta aclamação nunca pode ser instituída ou seguida de cantos e expressões devocionais (‘Bendito, louvado seja’; ‘Deus está aqui’; ‘Eu te adoro hóstia divina’; ‘meu Senhor e meu Deus’ etc.)”.
  Penso ser oportuno, o que Jesús Castellano afirma na sua obra “Liturgia e Vida Espiritual”: “Contemplar a Eucaristia não é fixar o olhar no pão e no cálice, mas também se deixar maravilhar pela fragilidade dos sinais e pela plenitude da realidade salvífica que contém, ouvindo, concentrados na Eucaristia, todas as palavras da revelação que dão sentido a esse mistério pascal do corpo e sangue gloriosos do Senhor, no qual toda a história da salvação se concentra e se oferece, em Cristo crucificado e ressuscitado, que nele próprio torna-se presente ”.

  Cale-se a boca diante do augusto mistério, incline-se o coração ao Senhor que nos é apresentado, nas frágeis aparências de pão e vinho. 

11 de setembro de 2014

Liturgia- Abusos Litúrgicos

Por Bruno Vieira Santos
Catequista