Por Dom Paulo F. Machado
Bispo diocesano de Uberlândia-MG
Não
convém introduzir atos devocionais pessoais, mesmo relacionados à Eucaristia,
mas ouve-se atentamente, com o coração, o memorial, a recordação de todos os
benefícios divinos narrados na oração eucarística. É a História da Salvação
narrada, para ser ouvida com atenção. Este não é o momento de se introduzir
devoções pessoais, é Cristo e sua esposa, a Igreja, que em grande e misteriosa
união, se dirigem ao Pai de infinita bondade. No instante da apresentação do
Corpo do Senhor e do Cálice com o seu preciosíssimo Sangue o que fazer; o que
rezar?
Será
importante participar, olhando tudo o que se passa no altar. É o mistério
pascal que estamos celebrando na força da fé, pela atuação do Espírito Santo.
Somos chamados a fazer a experiência fundante de nossa vida cristã, levados,
misteriosamente, aos pés da Cruz de nosso Redentor. Contemplamos o
Transpassado, o sepulcro vazio, e jubilosos O encontramos ao Partir do Pão. O
Amor do Pai, na força do Espírito, vence a morte.
Celebramos
o mistério Pascal para, imbuídos de sua força, reproduzirmos em nossa vida, a
vida do Senhor, viver fraternamente e aprender que missa é Missão.
Convém
recordar o que foi escrito no Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB: “Ao menos nos
domingos e nos dias festivos, cante-se em tom de exaltação a aclamação
memorial. Esta aclamação nunca pode ser instituída ou seguida de cantos e
expressões devocionais (‘Bendito, louvado seja’; ‘Deus está aqui’; ‘Eu te adoro
hóstia divina’; ‘meu Senhor e meu Deus’ etc.)”.
Penso
ser oportuno, o que Jesús Castellano afirma na sua obra “Liturgia e Vida
Espiritual”: “Contemplar a Eucaristia não é fixar o olhar no pão e no cálice,
mas também se deixar maravilhar pela fragilidade dos sinais e pela plenitude da
realidade salvífica que contém, ouvindo, concentrados na Eucaristia, todas as
palavras da revelação que dão sentido a esse mistério pascal do corpo e sangue
gloriosos do Senhor, no qual toda a história da salvação se concentra e se
oferece, em Cristo crucificado e ressuscitado, que nele próprio torna-se
presente ”.
Cale-se
a boca diante do augusto mistério, incline-se o coração ao Senhor que nos é
apresentado, nas frágeis aparências de pão e vinho.

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