Série de catequeses papais do Papa Francisco sobre os Sacramentos
AUDIÊNCIA
GERAL
Praça
de São Pedro
Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014
Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje começamos uma série de
Catequeses sobre os Sacramentos, e a primeira diz respeito ao Baptismo. Por uma
feliz coincidência, no próximo domingo celebra-se precisamente a festa do
Baptismo do Senhor.
O Baptismo é o sacramentos sobre
o qual se fundamenta a nossa própria fé e que nos insere como membros vivos em
Cristo e na sua Igreja. Juntamente com a Eucaristia e com a Confirmação forma a
chamada «Iniciação cristã», a qual constitui como que um único, grande evento
sacramental que nos configura com o Senhor e nos torna um sinal vivo da sua
presença e do seu amor.
Pode surgir em nós uma pergunta:
mas o Baptismo é realmente necessário para viver como cristãos e seguir Jesus?
Não é no fundo um simples rito, uma acto formal da Igreja para dar o nome ao
menino ou à menina? É uma pergunta que pode surgir. E a este propósito, é
esclarecedor quanto escreve o apóstolo Paulo: «Ignorais, porventura, que todos
nós, que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na Sua morte? Pelo
baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo
ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também
numa vida nova» (Rm 6,
3-4). Por conseguinte, não é uma formalidade! É um acto que diz profundamente
respeito à nossa existência. Uma criança baptizada ou uma criança não baptizada
não é a mesma coisa. Uma pessoa baptizada ou uma pessoa não baptizada não é a
mesma coisa. Nós, com o Baptismo, somos imergidos naquela fonte inesgotável de
vida que é a morte de Jesus, o maior acto de amor de toda a história; e graças
a este amor podemos viver uma vida nova, já não à mercê do mal, do pecado e da
morte, mas na comunhão com Deus e com os irmãos.
Muitos de nós não recordam
minimamente a celebração deste Sacramento, e é óbvio, se fomos baptizados pouco
depois do nascimento. Fiz esta pergunta duas ou três vezes, aqui, na praça:
quem de vós conhece a data do próprio Baptismo, levante a mão. É importante
conhecer o dia no qual eu fui imergido precisamente naquela corrente de
salvação de Jesus. E permito-me dar um conselho. Mas, mais do que um conselho,
trata-se de uma tarefa para hoje. Hoje, em casa, procurai, perguntai a data do
Baptismo e assim sabereis bem o dia tão bonito do Baptismo. Conhecer a data do
nosso Baptismo significa conhecer uma data feliz. Mas o risco de não o conhecer
significa perder a memória daquilo que o Senhor fez em nós, a memória do dom
que recebemos. Então acabamos por considerá-lo só como um evento que aconteceu
no passado — e nem devido à nossa vontade, mas à dos nossos pais — por
conseguinte, já não tem incidência alguma sobre o presente. Devemos despertar a
memória do nosso Baptismo. Somos chamados a viver o nosso Baptismo todos os
dias, como realidade actual na nossa existência. Se seguimos Jesus e
permanecemos na Igreja, mesmo com os nossos limites, com as nossa fragilidades
e os nossos pecados, é precisamente graças ao Sacramento no qual nos tornámos
novas criaturas e fomos revestidos de Cristo. Com efeito, é em virtude do
Baptismo que, libertados do pecado original, somos inseridos na relação de
Jesus com Deus Pai; que somos portadores de uma esperança nova, porque o
Baptismo nos dá esta nova esperança: a esperança de percorrer o caminho da
salvação, a vida inteira. E esta esperança que nada e ninguém pode desiludir,
porque a esperança não decepciona. Recordai-vos: a esperança no Senhor nunca
desilude. É graças ao Baptismo que somos capazes de perdoar e amar também quem
nos ofende e nos faz mal; que conseguimos reconhecer nos últimos e nos pobres o
rosto do Senhor que nos visita e se faz próximo. O Baptismo ajuda-nos a
reconhecer no rosto dos necessitados, dos sofredores, também do nosso próximo,
a face de Jesus. Tudo isto é possível graças à força do Baptismo!
Um último elemento, que é
importante. E faço uma pergunta: uma pessoa pode baptizar-se a si mesma?
Ninguém pode baptizar-se a si mesma! Ninguém. Podemos pedi-lo, desejá-lo, mas
temos sempre a necessidade de alguém que nos confira este Sacramento em nome do
Senhor. Porque o Baptismo é um dom que é concedido num contexto de solicitude e
de partilha fraterna.
Ao longo da história sempre um
baptiza outro, outro, outro... é uma corrente. Uma corrente de Graça. Mas, eu
não me posso baptizar sozinho: devo pedir o Baptismo a outra pessoa. É um acto
de fraternidade, uma acto de filiação à Igreja. Na celebração do Baptismo
podemos reconhecer os traços mais característicos da Igreja, a qual como uma
mãe continua a gerar novos filhos em Cristo, na fecundidade do Espírito Santo.
Peçamos então de coração ao
Senhor podermos para experimentar cada vez mais, na vida diária, esta graça que
recebemos com o Baptismo. Que os nossos irmãos ao encontrar-nos possam
encontrar verdadeiros filhos de Deus, verdadeiros irmãos e irmãs de Jesus
Cristo, verdadeiros membros da Igreja. E não esqueçais a tarefa de hoje:
procurar, perguntar a data do próprio Baptismo. Assim como eu conheço a data do
meu nascimento, devo conhecer também a data do meu Baptismo, porque é um dia de
festa.
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Na quarta-feira passado demos início a uma breve
série de catequeses sobre os Sacramentos, começando pelo Baptismo. E também
hoje gostaria de meditar sobre o Baptismo, para ressaltar um fruto muito
importante deste Sacramento: ele leva-nos a ser membros do Corpo de Cristo e do
Povo de Deus. S. Tomás de Aquino afirma que quantos recebem o Baptismo são
incorporados a Cristo quase como seus próprios membros e agregados à comunidade
dos fiéis (cf. Summa Theologiae, III, q. 69, art. 5; q. 70, art.
1), ou seja, ao Povo de Deus. Na escola do Concílio Vaticano II, hoje dizemos que o
Baptismo nos faz entrar no Povo de Deus, levando-nos a ser membros
de um Povo a caminho, um Povo peregrino na história.
Com efeito, assim como a vida se transmite de
geração em geração, também de geração em geração, através do renascimento na
pia baptismal, é transmitida a graça, e com esta graça o Povo cristão caminha
no tempo como um rio que irriga a terra e propaga no mundo a bênção de Deus.
Desde que Jesus disse o que ouvimos do Evangelho, os discípulos partiram para
baptizar; e desde aquela época até hoje há uma cadeia na transmissão da fé
mediante o Baptismo. E cada um de nós é um elo daquela corrente: um passo em
frente, sempre; como um rio que irriga. Assim é a graça de Deus, assim é a
nossa fé, que devemos transmitir aos nossos filhos, às crianças, para que elas,
quando forem adultas, possam transmiti-la aos seus filhos. Assim é o baptismo.
Porquê? Porque o baptismo nos faz entrar neste Povo de Deus, que transmite a
fé. Isto é deveras importante. Um Povo de Deus que caminha e transmite a fé.
Em virtude do Baptismo nós tornamo-nos discípulos
missionários, chamados a levar o Evangelho ao mundo (cf. Exortação
Apostólica Evangelii gaudium, 120). «Cada um dos
baptizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de
instrução da sua fé, é um sujeito activo de evangelização... A nova
evangelização deve implicar um novo protagonismo» (ibid.) da parte de todos, de todo o Povo
de Deus, um novo protagonismo de cada baptizado. O Povo de Deus é um
Povo discípulo — porque recebe a fé — e missionário —
porque transmite a fé. É isto que o Baptismo faz entre nós: confere-nos a
Graça, transmite-nos a Fé. Todos na Igreja somos discípulos, e somo-lo sempre,
a vida inteira; e todos nós somos missionários, cada qual no lugar que o Senhor
lhe confiou. Todos: até o mais pequenino é missionário; e aquele que parece
maior é discípulo. Mas algum de vós dirá: «Os Bispos não são discípulos, eles
sabem tudo; o Papa sabe tudo, e não é discípulo». Não, até os bispos e o Papa
devem ser discípulos, pois se não forem discípulos não farão o bem, não poderão
ser missionários nem transmitir a fé. Todos nós somos discípulos e
missionários.
Existe um vínculo indissolúvel entre as dimensões mística e missionária da
vocação cristã, ambas arraigadas no Baptismo. «Ao receber a fé e o batismo, os
cristãos acolhem a ação do Espírito Santo, que leva a confessar a Jesus como
Filho de Deus e a chamar Deus “Abba”, Pai. Todos os batizados e batizadas...
são chamados a viver e a transmitir a comunhão com a Trindade, pois “a
evangelização é um chamado à participação da comunhão trinitária”» (Documento
final de Aparecida, n. 157).
Ninguém se salva sozinho. Somos uma
comunidade de fiéis, somos Povo de Deus e nesta comunidade experimentamos a
beleza de compartilhar a experiência de um amor que nos precede a todos, mas
que ao mesmo tempo nos pede para ser «canais» da graça uns para os outros,
apesar dos nossos limites e pecados. A dimensão comunitária não é apenas uma
«moldura», um «contorno», mas constitui uma parte integrante da vida cristã, do
testemunho e da evangelização. A fé cristã nasce e vive na Igreja, e no
Baptismo as famílias e as paróquias celebram a incorporação de um novo membro a
Cristo e ao seu corpo, que é a Igreja (cf. ibid., n. 175b).
A propósito da importância do Baptismo para o Povo
de Deus, é exemplar a história da comunidade cristã no Japão. Ela
padeceu uma perseguição árdua no início do século XVII. Houve numerosos
mártires, os membros do clero foram expulsos e milhares de fiéis foram
assassinados. No Japão não permaneceu nem sequer um sacerdote, todos foram expulsos.
Então, a comunidade retirou-se na clandestinidade, conservando a fé e a oração
no escondimento. E quando nascia um filho, o pai ou a mãe baptizavam-no, pois
todos os fiéis podem baptizar em circunstâncias particulares. Quando, depois de
cerca de dois séculos e meio, 250 anos mais tarde, os missionários voltaram
para o Japão, milhares de cristãos saíram do escondimento e a Igreja conseguiu
reflorescer. Sobreviveram com a graça do seu Baptismo! Isto é grande: o Povo de
Deus transmite a fé, baptiza os seus filhos e vai em frente. E apesar do
segredo, mantiveram um vigoroso espírito comunitário, porque o Baptismo os
tinha levado a constituir um único corpo em Cristo: viviam isolados e
escondidos, mas eram sempre membros do Povo de Deus, membros da Igreja. Podemos
aprender muito desta história!
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014
Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
No sábado passado teve início a Semana de
oração pela unidade dos cristãos, que se encerrará no próximo sábado, festa
da Conversão do apóstolo são Paulo. Esta iniciativa espiritual, mais preciosa
do que nunca, envolve as comunidades cristãs há mais de cem anos. Trata-se de
um tempo dedicado à oração pela unidade de todos os baptizados, segundo a
vontade de Cristo: «Para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Cada
ano, um grupo ecuménico de uma região do mundo, sob a guia do Conselho
Ecuménico das Igrejas e do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos
Cristãos, sugere o tema e prepara subsídios para a Semana de
oração. Este ano tais subsídios são oferecidos pelas Igrejas e Comunidades
eclesiais do Canadá, e fazem referência à pergunta dirigida por são Paulo aos
cristãos de Corinto: «Estaria Cristo dividido?» (1 Cor 1, 13).
Sem dúvida, Cristo não foi dividido. Contudo, devemos
reconhecer sincera e dolorosamente que as nossas comunidades continuam a viver
divisões que são escandalosas. As divisões entre nós, cristãos, são um
escândalo! Não há outra palavra: um escândalo! «Cada um de vós — escrevia o
apóstolo — diz: “Eu sou [discípulo] de Paulo”, “eu, de Apolo”, “eu de Cefas”,
“eu de Cristo”» (1, 12). Nem aqueles que professavam Cristo como o seu chefe
são aplaudidos por Paulo, porque usavam o nome de Cristo para se separar dos
outros no interior da comunidade cristã. Mas o nome de Cristo cria comunhão e
unidade, não divisão! Ele veio para fazer comunhão entre nós, não para nos
dividir. O Baptismo e a Cruz são elementos centrais do discipulado cristão, que
temos em comum. As divisões, ao contrário, debilitam a credibilidade e a
eficácia do nosso compromisso de evangelização e correm o risco de esvaziar a
Cruz do seu poder (cf. 1, 17).
Paulo repreende os coríntios pelas suas contendas,
mas também dá graças ao Senhor, «pela graça divina que vos foi dada em Jesus
Cristo. Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons da palavra e da
ciência» (1, 4-5). Estas palavras de Paulo não são uma simples formalidade, mas
o sinal de que ele vê antes de tudo — e alegra-se sinceramente por isto — os
dons concedidos por Deus à comunidade. Esta atitude do apóstolo é um
encorajamento para nós e para cada comunidade cristã a reconhecer com júbilo as
dádivas de Deus presentes noutras comunidades. Apesar do sofrimento das
divisões, que infelizmente ainda subsistem, acolhamos as palavras de Paulo como
um convite a alegrar-nos sinceramente pelas graças concedidas por Deus a outros
cristãos. Temos o mesmo Baptismo, o mesmo Espírito Santo que nos infundiu a
Graça: reconheçamo-lo e alegremo-nos!
É bom reconhecer a graça com que Deus nos abençoa
e, ainda mais, encontrar noutros cristãos algo de que temos necessidade, algo
que poderíamos receber como dom dos nossos irmãos e irmãs. O grupo canadense
que preparou os subsídios desta Semana de oração não convidou
as comunidades a pensar naquilo que poderiam oferecer aos seus vizinhos
cristãos, mas exortou-as a encontrar-se para compreender o que todas,
a seu tempo, podem receber umas das outras. Isto exige algo mais. Requer muita
oração, humildade, reflexão e conversão contínua. Vamos em frente por este caminho,
rezando pela unidade dos cristãos, para que este escândalo desapareça e deixe
de existir entre nós.
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014
Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Nesta terceira catequese sobre os Sacramentos,
meditemos sobre a Confirmação ou Crisma, que deve ser entendida em continuidade
com o Baptismo, ao qual ela está vinculada de modo inseparável. Estes dois
Sacramentos, juntamente com a Eucaristia, formam um único acontecimento
salvífico, que se denomina «iniciação cristã», no qual somos inseridos em Jesus
Cristo morto e ressuscitado, tornando-nos novas criaturas e membros da Igreja.
Eis por que motivo, na origem destes três Sacramentos, eram celebrados num
único momento, no final do caminho catecumenal, normalmente na Vigília pascal.
Era assim que se selava o percurso de formação e de inserção gradual no seio da
comunidade cristã, que podia durar até alguns anos. Procedia-se passo a passo
para chegar ao Baptismo, depois à Crisma e enfim à Eucaristia.
Em geral, fala-se de Sacramento da «Crisma»,
palavra que significa «unção». E com efeito através do óleo, chamado «Crisma
sagrado», nós somos confirmados no poder do Espírito, em Jesus Cristo, o Único
verdadeiro «Ungido», o «Messias», o Santo de Deus. Além disso, o termo
«Confirmação» recorda-nos que este Sacramento contribui com um aumento da graça
baptismal: une-nos mais solidamente a Cristo; leva a cumprimento o nosso
vínculo com a Igreja; infunde em nós uma especial força do Espírito Santo para
difundir e defender a fé, para confessar o nome de Cristo e para nunca nos
envergonharmos da sua Cruz (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.303).
Por isso, é importante prestar atenção a fim de que
as nossas crianças, os nossos jovens recebam este Sacramento. Todos nós
prestamos atenção para que eles sejam baptizados, e isto é bom, mas talvez não
nos preocupemos muito a fim de que recebam a Crisma. Deste modo, eles
permanecerão a meio caminho e não receberão o Espírito Santo, que é muito
importante na vida cristã, porque nos concede a força para ir em frente.
Pensemos um pouco nisto, cada um de nós: preocupamo-nos verdadeiramente para
que as nossas crianças, os nossos jovens recebam a Crisma! Isto é importante, é
importante! E se vós, em casa, tendes crianças e jovens que ainda não a
receberam, e que já estão na idade de a receber, fazei todo o possível para que
levem a cumprimento a iniciação cristã e recebam a força do Espírito Santo. É
importante!
Naturalmente, é necessário oferecer aos crismandos
uma boa preparação, que deve ter em vista levá-los a uma adesão pessoal à fé em
Cristo e despertar neles o sentido da pertença à Igreja.
Como cada Sacramento, a Confirmação não é obra dos
homens mas de Deus, que cuida da nossa vida, de maneira a plasmar-nos à imagem
do seu Filho, para nos tornar capazes de amar como Ele. E fá-lo infundindo em
nós o seu Espírito Santo, cuja acção permeia cada pessoa e a vida inteira, como
transparece dos sete dons que a Tradição, à luz da Sagrada Escritura, sempre
evidenciou. Eis os sete dons: não quero perguntar-vos se vos recordais quais
são os sete dons. Talvez todos vós saibais... Mas cito-os em vosso nome. Quais
são estes dons? A Sabedoria, a Inteligência, o Conselho, a Fortaleza, a
Ciência, a Piedade e o Temor de Deus. E estes dons são concedidos precisamente
através do Espírito Santo no Sacramento da Confirmação. Além disso, a estes
dons tenciono dedicar as catequeses que se seguirão às reservadas aos
Sacramentos.
Quando acolhemos o Espírito Santo no nosso coração
e deixamos que Ele aja, é o próprio Cristo que se torna presente em nós e
adquire forma na nossa vida; através de nós será Ele, o próprio Cristo, que
rezará, perdoará, infundirá esperança e consolação, servirá os irmãos, estará
próximo dos necessitados e dos últimos, que criará comunhão e semeará paz.
Pensai como isto é importante: mediante o Espírito Santo, é o próprio Cristo
que vem para fazer tudo isto no meio de nós e por nós. Por isso, é importante
que as crianças e os jovens recebam o Sacramento da Crisma.
Estimados irmãos e irmãs, recordemo-nos que
recebemos a Confirmação. Todos nós! Recordemo-lo antes de tudo para dar graças
ao Senhor por esta dádiva, e além disso para lhe pedir que nos ajude a viver
como cristãos autênticos e a caminhar sempre com alegria segundo o Espírito
Santo que nos foi concedido.
AUDIÊNCIA
GERAL
Praça de São
Pedro
Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014
Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2014
Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, falar-vos-ei da
Eucaristia. A Eucaristia insere-se no âmago da «iniciação cristã», juntamente
com o Baptismo e a Confirmação, constituindo a nascente da própria vida da
Igreja. Com efeito, é deste Sacramento do Amor que derivam todos os caminhos
autênticos de fé, de comunhão e de testemunho.
O que vemos quando nos
congregamos para celebrar a Eucaristia, a Missa, já nos faz intuir o que
estamos prestes a viver. No centro do espaço destinado à celebração encontra-se
o altar, que é uma mesa coberta com uma toalha, e isto faz-nos pensar num
banquete. Sobre a mesa há uma cruz, a qual indica que naquele altar se oferece
o sacrifício de Cristo: é Ele o alimento espiritual que ali recebemos, sob as
espécies do pão e do vinho. Ao lado da mesa encontra-se o ambão, ou seja o
lugar de onde se proclama a Palavra de Deus: e ele indica que ali nos reunimos
para ouvir o Senhor que fala mediante as Sagradas Escrituras, e portanto o
alimento que recebemos é também a sua Palavra.
Na Missa, Palavra e Pão
tornam-se uma coisa só, como na Última Ceia, quando todas as palavras de Jesus,
todos os sinais que Ele tinha realizado, se condensaram no gesto de partir o
pão e de oferecer o cálice, antecipação do sacrifício da cruz, e naquelas
palavras: «Tomai e comei, isto é o meu corpo... Tomai e bebei, isto é o meu
sangue».
O gesto levado a cabo por Jesus
na Última Ceia é a extrema acção de graças ao Pai pelo seu amor, pela sua
misericórdia. Em grego, «acção de graças» diz-se «eucaristia». É por isso que o
Sacramento se chama Eucaristia: é a suprema acção de graças ao Pai, o qual nos
amou a tal ponto, que nos ofereceu o seu Filho por amor. Eis por que motivo o
termo Eucaristia resume todo aquele gesto, que é de Deus e ao mesmo tempo do
homem, gesto de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Por conseguinte, a celebração
eucarística é muito mais do que um simples banquete: é precisamente o memorial
da Páscoa de Jesus, o mistério fulcral da salvação. «Memorial» não significa
apenas uma recordação, uma simples lembrança, mas quer dizer que cada vez que
nós celebramos este Sacramento participamos no mistério da paixão, morte e
ressurreição de Cristo. A Eucaristia constitui o apogeu da obra de salvação de
Deus: com efeito, fazendo-se pão partido para nós, o Senhor Jesus derrama sobre
nós toda a sua misericórdia e todo o seu amor, a ponto de renovar o nosso
coração, a nossa existência e o nosso próprio modo de nos relacionarmos com Ele
e com os irmãos. É por isso que geralmente, quando nos aproximamos deste
Sacramento, dizemos que «recebemos a Comunhão», que «fazemos a Comunhão»: isto
significa que no poder do Espírito Santo, a participação na mesa eucarística
nos conforma com Cristo de modo singular e profundo, levando-nos a prelibar
desde já a plena comunhão com o Pai, que caracterizará o banquete celestial,
onde juntamente com todos os Santos teremos a felicidade de contemplar Deus
face a face.
Estimados amigos, nunca daremos
suficientemente graças ao Senhor pela dádiva que nos concedeu através da
Eucaristia! Trata-se de um dom deveras grandioso e por isso é tão importante ir
à Missa aos domingos. Ir à Missa não só para rezar, mas para receber a Comunhão,
o pão que é o corpo de Jesus Cristo que nos salva, nos perdoa e nos une ao Pai.
É bom fazer isto! E todos os domingos vamos à Missa, porque é precisamente o
dia da Ressurreição do Senhor. É por isso que o Domingo é tão importante para
nós! E com a Eucaristia sentimos esta pertença precisamente à Igreja, ao Povo
de Deus, ao Corpo de Deus, a Jesus Cristo. Nunca compreenderemos todo o seu
valor e toda a sua riqueza. Então, peçamos-lhe que este Sacramento possa
continuar a manter viva na Igreja a sua presença e a plasmar as nossas
comunidades na caridade e na comunhão, segundo o Coração do Pai. E fazemos isto
durante a vida inteira, mas começamos a fazê-lo no dia da nossa primeira
Comunhão. É importante que as crianças se preparem bem para a primeira Comunhão
e que cada criança a faça, pois trata-se do primeiro passo desta pertença forte
a Jesus Cristo, depois do Baptismo e da Crisma.
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014
Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014
Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Na última catequese elucidei o modo como
a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora
podemos formular algumas interrogações a propósito da relação entre a
Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como simples cristãos. Como
vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a
vivemos? É apenas um momento de festa, uma tradição consolidada, uma ocasião
para nos encontrarmos, para estarmos à vontade, ou então é algo mais?
Existem sinais muito concretos para compreender como
vivemos tudo isto, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se vivemos
bem a Eucaristia, ou se não a vivemos muito bem. O primeiro indício é o nosso modo
de ver e considerar os outros. Na Eucaristia Cristo oferece sempre de novo
o dom de si que já concedeu na Cruz. A sua vida inteira é um gesto de partilha
total de si mesmo por amor; por isso, Ele gostava de estar com os discípulos e
com as pessoas que tinha a oportunidade de conhecer. Para Ele, isto significava
compartilhar os seus desejos, os seus problemas, aquilo que agitava as suas
almas e vidas. Pois bem, quando participamos na Santa Missa nós encontramo-nos
com homens e mulheres de todos os tipos: jovens, idosos e crianças; pobres e
abastados; naturais do lugar e estrangeiros; acompanhados pelos familiares e
pessoas sós... Mas a Eucaristia que eu celebro, leva-me a senti-los todos
verdadeiramente como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de me
alegrar com quantos rejubilam, de chorar com quem chora? Impele-me a ir ao
encontro dos pobres, dos enfermos e dos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer
neles o rosto de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e, na
Eucaristia, queremos compartilhar a sua paixão e ressurreição. Mas amamos, como
deseja Jesus, os irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, nestes dias
vimos em Roma muitas dificuldades sociais, ou devido às chuvas, que causaram
prejuízos enormes para bairros inteiros, ou devido à falta de trabalho,
consequência da crise económica no mundo inteiro. Pergunto-me, e cada um de nós
deve interrogar-se: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me em ajudar,
em aproximar-me, em rezar por quantos devem enfrentar este problema? Ou então
sou um pouco indiferente? Ou, talvez, preocupo-me em tagarelar: reparaste como
se veste esta pessoa, ou como está vestido aquela? Às vezes é isto que se faz
depois da Missa, mas não podemos comportar-nos assim! Devemos preocupar-nos com
os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um
problema. Hoje, far-nos-á bem pensar nos nossos irmãos e irmãs que devem
enfrentar estes problemas aqui em Roma: problemas devidos à tragédia provocada
pelas chuvas, questões sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na
Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los!
Um segundo indício, muito importante, é a graça de nos
sentirmos perdoados e prontos para perdoar. Por vezes, alguém pergunta:
«Por que deveríamos ir à igreja, visto que quem participa habitualmente na
Santa Missa é pecador como os outros?». Quantas vezes ouvimos isto! Na
realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se considera ou quer
parecer melhor do que os outros, mas precisamente porque se reconhece sempre
necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, que se fez
carne em Jesus Cristo. Se não nos sentirmos necessitados da misericórdia de
Deus, se não nos sentirmos pecadores, melhor seria não irmos à Missa! Nós vamos
à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar
na redenção de Jesus e no seu perdão. Aquele «Confesso» que recitamos no início
não é um «pro forma», mas um verdadeiro acto de penitência! Sou pecador
e confesso-o: assim começa a Missa! Nunca devemos esquecer que a Última Ceia de
Jesus teve lugar «na noite em que Ele foi entregue» (1 Cor 11, 23).
Naquele pão e naquele vinho que oferecemos, e ao redor dos quais nos
congregamos, renova-se de cada vez a dádiva do corpo e do sangue de Cristo,
para a remissão dos nossos pecados. Temos que ir à Missa como pecadores,
humildemente, e é o Senhor que nos reconcilia.
Um último indício inestimável é-nos oferecido pela
relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades
cristãs. É preciso ter sempre presente que a Eucaristia não é algo que nós
fazemos; não é uma nossa comemoração daquilo que Jesus disse e fez. Não! É
precisamente uma acção de Cristo! Ali, é Cristo quem age, Cristo sobre o altar!
É um dom de Cristo, que se torna presente e nos reúne ao redor de si, para nos
alimentar com a sua Palavra e a sua vida. Isto significa que a própria missão e
identidade da Igreja derivam dali, da Eucaristia, e ali sempre adquirem forma.
Uma celebração pode até ser impecável sob o ponto de vista exterior,
maravilhosa, mas se não nos levar ao encontro com Jesus corre o risco de não
oferecer alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia,
ao contrário, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la com a sua graça,
de tal modo que em cada comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.
O coração transborda de confiança e de esperança,
pensando nas palavras de Jesus, citadas no Evangelho: «Quem comer a minha carne
e beber o meu sangue terá a vida eterna; e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6,
54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de
penitência, de júbilo comunitário, de solicitude pelos necessitados e pelas
carências de numerosos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá
aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!
AUDIÊNCIA
GERAL
Praça de São
Pedro
Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014
Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014
Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Através dos Sacramentos da
iniciação cristã, do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia, o homem recebe a
vida nova em Cristo. Pois bem, todos nós sabemos que trazemos esta vida «em
vasos de barro» (2 Cor 4,
7), ainda estamos submetidos à tentação, ao sofrimento, à morte e, por causa do
pecado, até podemos perder a nova vida. Por isso, o Senhor Jesus quis que a
Igreja continuasse a sua obra de salvação também a favor dos próprios membros,
em particular com os Sacramentos da Reconciliação e da Unção dos enfermos, que
podem ser unidos sob o nome de «Sacramentos de cura». O Sacramento da
Reconciliação é um Sacramento de cura. Quando me confesso é para me curar, para
curar a minha alma, o meu coração e algo de mal que cometi. O ícone bíblico que
melhor os exprime, no seu vínculo profundo, é o episódio do perdão e da cura do
paralítico, onde o Senhor Jesus se revela médico das almas e, ao mesmo tempo,
dos corpos (cf. Mc 2, 1-12; Mt 9, 1-8; Lc 5, 17-26).
O Sacramento da Penitência e da
Reconciliação brota directamente do mistério pascal. Com efeito, na noite de
Páscoa o Senhor apareceu aos discípulos, fechados no cenáculo e, depois de lhes
dirigir a saudação: «A paz esteja convosco!», soprou sobre eles e disse:
«Recebei o Espírito Santo! A quantos perdoardes os pecados, ser-lhes-ão
perdoados» (Jo 20, 21-23).
Este trecho revela a dinâmica mais profunda contida neste Sacramento. Antes de
tudo, a constatação de que o perdão dos nossos pecados não é algo que podemos
dar-nos a nós mesmos. Não posso dizer: perdoo os meus pecados. O perdão é
pedido a outra pessoa, e na Confissão pedimos o perdão a Jesus. O perdão não é
fruto dos nossos esforços, mas uma dádiva, um dom do Espírito Santo, que nos
enche do lavacro de misericórdia e de graça que brota incessantemente do
Coração aberto de Cristo Crucificado e Ressuscitado. Em segundo lugar,
recorda-nos que só se nos deixarmos reconciliar no Senhor Jesus com o Pai e com
os irmãos, conseguiremos verdadeiramente alcançar a paz. E todos nós sentimos
isto no coração, quando nos confessamos com um peso na alma, com um pouco de
tristeza; e quando recebemos o perdão de Jesus, alcançamos a paz, aquela paz da
alma tão boa que somente Jesus nos pode dar, só Ele!
Ao longo do tempo, a celebração
deste Sacramento passou de uma forma pública — porque no início era feita
publicamente — para a pessoal, para a forma reservada da Confissão. Contudo,
isto não deve fazer-nos perder a matriz eclesial, que constitui o contexto
vital. Com efeito, a comunidade cristã é o lugar onde o Espírito se torna
presente, que renova os corações no amor de Deus, fazendo de todos os irmãos um
só em Cristo Jesus. Eis, então, por que motivo não é suficiente pedir perdão ao
Senhor na nossa mente e no nosso coração, mas é necessário confessar humilde e
confiadamente os nossos pecados ao ministro da Igreja. Na celebração deste
Sacramento, o sacerdote não representa apenas Deus, mas toda a comunidade, que
se reconhece na fragilidade de cada um dos seus membros, que ouve comovida o
seu arrependimento, que se reconcilia com eles, os anima e acompanha ao longo
do caminho de conversão e de amadurecimento humano e cristão. Podemos dizer: eu
só me confesso com Deus. Sim, podes dizer a Deus «perdoa-me», e confessar os
teus pecados, mas os nossos pecados são cometidos também contra os irmãos,
contra a Igreja. Por isso, é necessário pedir perdão à Igreja, aos irmãos, na
pessoa do sacerdote. «Mas padre, eu tenho vergonha...». Até a vergonha é boa, é
saudável sentir um pouco de vergonha, porque envergonhar-se é bom. Quando uma
pessoa não se envergonha, no meu país dizemos que é um «sem-vergonha»: um «sin verguenza». Mas até a vergonha faz bem, porque nos
torna mais humildes, e o sacerdote recebe com amor e com ternura esta confissão
e, em nome de Deus, perdoa. Até do ponto de vista humano, para desabafar, é bom
falar com o irmão e dizer ao sacerdote estas coisas, que pesam muito no nosso
coração. E assim sentimos que desabafamos diante de Deus, com a Igreja e com o
irmão. Não tenhais medo da Confissão! Quando estamos em fila para nos
confessarmos, sentimos tudo isto, também a vergonha, mas depois quando termina
a Confissão sentimo-nos livres, grandes, bons, perdoados, puros e felizes. Esta
é a beleza da Confissão! Gostaria de vos perguntar — mas não o digais em voz
alta; cada um responda no seu coração: quando foi a última vez que te
confessaste? Cada um pense nisto... Há dois dias, duas semanas, dois anos,
vinte anos, quarenta anos? Cada um faça as contas, mas cada um diga: quando foi
a última vez que me confessei? E se já passou muito tempo, não perca nem sequer
um dia; vai, que o sacerdote será bom contigo. É Jesus que está ali presente, e
é mais bondoso que os sacerdotes, Jesus receber-te-á com muito amor. Sê
corajoso e vai confessar-te!
Caros amigos, celebrar o
Sacramento da Reconciliação significa ser envolvido por um abraço caloroso: é o
abraço da misericórdia infinita do Pai. Recordemos aquela bonita parábola do
filho que foi embora de casa com o dinheiro da herança; esbanjou tudo e depois,
quando já não tinha nada, decidiu voltar para casa, não como filho, mas como
servo. Ele sentia muita culpa e muita vergonha no seu coração!
Surpreendentemente, quando ele começou a falar, a pedir perdão, o pai não o
deixou falar mas abraçou-o, beijou-o e fez uma festa. E eu digo-vos: cada vez
que nos confessamos, Deus abraça-nos, Deus faz festa! Vamos em frente por este
caminho. Deus vos abençoe!
Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Gostaria de vos falar hoje do
Sacramento da Unção dos enfermos, que nos permite ver concretamente a compaixão
de Deus pelo homem. No passado era chamado «Extrema Unção», porque era
entendido como conforto espiritual na iminência da morte. Ao contrário, falar
de «Unção dos enfermos» ajuda-nos a alargar o olhar para a experiência da
doença e do sofrimento, no horizonte da misericórdia de Deus.
1. Há um ícone bíblico que
expressa em toda a sua profundidade o mistério que transparece na Unção dos
enfermos: é a parábola do «bom samaritano», no Evangelho de Lucas (10, 30-35).
Todas as vezes que celebramos este Sacramento, o Senhor Jesus, na pessoa do
sacerdote, torna-se próximo de quem sofre e está gravemente doente, ou é idoso.
Diz a parábola que o bom samaritano se ocupa do homem sofredor derramando sobre
as suas feridas óleo e vinho. O óleo faz-nos pensar no que é abençoado pelos
bispos todos os anos, na Missa crismal da Quinta-Feira Santa, precisamente em
vista da Unção dos enfermos. O vinho, ao contrário, é sinal do amor e da graça
de Cristo que brota do dom da sua vida por nós e expressam em toda a sua
riqueza na vida sacramental da Igreja. Por fim, a pessoa sofredora é confiada a
um hoteleiro, a fim de que continue a ocupar-se dela, sem se preocupar com a
despesa. Mas, quem é este hoteleiro? É a Igreja, a comunidade cristã, somos
nós, aos quais todos os dias o Senhor Jesus confia aqueles que estão aflitos,
no corpo e no espírito, para que possamos continuar a derramar sobre eles, sem
medida, toda a sua misericórdia e salvação.
2. Este mandato é reafirmado de
maneira explícita e clara na Carta de Tiago, na qual se recomenda: «Está alguém
entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre
ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo,
e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados»
(5, 14-15). Por conseguinte, trata-se de uma prática que já se usava na época
dos Apóstolos. Com efeito, Jesus ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma
predilecção pelos doentes e pelos sofredores e transmitiu-lhes a capacidade e a
tarefa de continuar a conceder no seu nome e segundo o seu coração alívio e
paz, através da graça especial deste Sacramento. Mas isto não nos deve fazer
cair na busca obstinada do milagre ou na presunção de poder obter sempre e apesar
de tudo a cura. Mas é a certeza da proximidade de Jesus ao doente e também ao
idoso, porque cada idoso, cada pessoa com mais de 65 anos, pode receber este
Sacramento, mediante o qual é o próprio Jesus que se aproxima.
Mas na presença de um doente,
por vezes pensa-se: «chamemos o sacerdote para que venha»; «Não, dá azar, não o
chamemos», ou então, «o doente assusta-se». Por que se pensa assim? Porque um
pouco há a ideia de que depois do sacerdote venha a agência funerária. E isto
não é verdade. O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso; por isto é tão
importante a visita dos sacerdotes aos doentes. É preciso chamar o sacerdote
para junto do doente e dizer: «venha, dê-lhe a unção, abençoe-o». É o próprio
Jesus que chega para aliviar o doente, para lhe dar força, para lhe dar
esperança, para o ajudar; também para lhe perdoar os pecados. E isto é muito
bonito! E não se deve pensar que isto seja um tabu,
porque é sempre bom saber que no momento da dor e da doença não estamos sós:
com efeito, o sacerdote e quantos estão presentes durante a Unção dos enfermos
representam toda a comunidade cristã que, como um único corpo se estreita em
volta de quem sofre e dos familiares, alimentando neles a fé e a esperança, e
apoiando-os com a oração e com o calor fraterno. Mas o maior conforto provém do
facto de que quem está presente no Sacramento é o próprio Senhor Jesus, que nos
guia pela mão, nos acaricia como fazia com os doentes e nos recorda que já lhe
pertencemos e que nada — nem sequer o mal nem a morte — jamais nos poderá
separar d’Ele. Temos este hábito de chamar o sacerdote para que aos nossos
doentes — não digo doentes de gripe, uma doença de 3-4 dias, mas quando é uma
doença séria — e também para os nossos idosos, venha lhes conferir este
Sacramento, este conforto, esta força de Jesus para ir em frente? Façamo-lo!