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17 de fevereiro de 2015

A Quaresma















Por Bruno Eduardo Vieira Santos  

  Sabemos que Jesus passou  40 dias no deserto (cf. Mc 1, 12-13)fazendo jejum e oração antes de iniciar sua missão salvífica. E é assim a quaresma, um tempo em que nos recolhemos em nós mesmos num deserto espiritual para reconhecermos as nossas feridas de pecado e pedir perdão para que possamos mudar os rumos de nossa vida.
  Como já disse, Jesus passou esse tempo no deserto em preparação à missão. E nós nos preparamos para a Páscoa, quando, Cristo ressuscitará dos mortos. Uma preparação espiritual para que, quando Cristo ressurgir, estejamos puros e dignos Dele. Não nos preparamos, entretanto, somente para o dia da Páscoa celebrada aqui na terra, mas para a grande celebração celeste, o banquete do Cordeiro, as bodas celestiais. Preparando-nos pela quaresma estaremos cada vez mais preparados espiritualmente para a vida eterna.
  A quaresma é ainda um tempo proposto como forma de enfraquecer o nosso ser corrompido e fazer brilhar a luz que habita dentro de nós: o Espírito Santo. Uma maneira de transformar o estilo pecaminoso em uma vida mais pura, mais digna de participar da glória do Redentor.
  Nesse tempo a liturgia nos traz textos em que Cristo preparava-se para a consumação, quando extirparia o pecado da humanidade e lhe daria uma vida nova. Obviamente, nem todos seguiram Jesus e assim, mesmo com o pecado apagado, ajuntaram mais e mais faltas à sua alma, por isso muitos foram condenados ao inferno, pois não escutaram a voz do Mestre. Queremos ser como estes? Claro que não. Então preparemo-nos para a morte, quando seremos julgados pelo que fizemos, e utilizemos esse tempo tão propício para nos convertemos.
  Ainda no tema liturgia, convido-lhe para assistir todas as missas possíveis para que acompanhe mais de perto toda a situação e os acontecimentos da vida de Jesus no tempo próximo à sua morte.
  Na quaresma temos alguns atos que distinguem-na dos outros tempos.

  O primeiro é a PENITÊNCIA. Através dela contrariamos a carne para que possa se enfraquecer algum “eu” corrompido, como por exemplo, o “eu guloso”, o “eu preguiçoso”, etc. Atinge-se algo que causa bem ao corpo ou aos nossos gostos, muitas vezes causando até certo “sofrimento”, e este, quando oferecido a Deus, serve-nos de oração e também para nos desprender de alguns atos ou sentimentos. Enfim, a penitência é uma forma de nos tirar do comodismo e nos levar a uma vida mais fervorosa e desapegada das coisas do mundo. Entretanto, cabe aqui lembrar que penitências que agradem somente a si mesmo, como por exemplo, algumas pessoas que se abstêm de alguns alimentos para que emagreçam. De forma alguma é penitência, é somente vontade de emagrecer mascarada deste ato religioso. 
  O segundo é o JEJUM. É uma forma de penitência que se distingue das outras por seu imenso valor. De forma estrita, este ato é composto de uma refeição completa (geralmente o almoço) e duas refeições leves (comumente café da manhã e um lanche à tarde). Não se come entre essas refeições e muito menos se alimenta de doces, refrigerantes, guloseimas em geral, e principalmente, abstém-se de carne. Entretanto, na linguagem moderna a abstinência de carne (obrigatória na Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa, e segundo a tradição em todas as sextas-feiras do ano exceto em festas, relembrando a morte de Nosso Senhor em uma sexta- feira). O jejum “contribui para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos” (cf. Catecismo da Igreja Católica 2043). O jejum, desde que bem feito, tem caráter de purificação e de oração. O primeiro, pois nos liberta de algumas “amarras” que o pecado deixa em nós, prendendo-nos às “delícias do mundo”. A segunda, pois mostra ao Senhor que abdicamos de nos deliciar de algum (ns) alimento (s) para receber a contrição e o perdão de nossos pecados.
  O terceiro é a ORAÇÃO. Quando estamos buscando a conversão a oração é fundamental. Com ela entramos na presença de Deus e apresentamos nossas súplicas e nosso arrependimento. Rezar nos dá força. Cristo que o diga. Ele sempre rezava pedindo força e principalmente naquele tentação derradeira antes de sua prisão. Somos constantemente tentados a deixar o serviço de Deus, a aceitar as concupiscências da carne como coisas boas, a praticar atos ilícitos, etc. Quando rezamos obtemos mais força para suportar a cruz e lutar contra as forças do demônio.
  Não imagine que somente na Quaresma se reza, jejua, penitencia-se. De forma alguma. Sempre somos convidados a fazê-los para alcançarmos a bem-aventurança eterna. Nesse tempo somos chamados a intensificar esses atos, buscando a salvação. Cada pessoa tem só uma vida. Não imagine, como os espíritas, que vai ter outra vida para gastar buscando o céu. Se não o fizer o inferno será o fim da linha. Busquemos nesse tempo fazer brilhar a luz do Espírito que há em nós.
  Concluindo, nunca deixe de lado esse convite à conversão. Junto do desejo de mudar adicione jejuns, penitências, constantes orações e, principalmente, uma sede insaciável pela SANTIDADE.

13 de janeiro de 2015

Os Reis Magos e suas lições para nós (Sermão)

Antes de considerarmos os exemplos dos Reis Magos, é bom ter bem presente quem eram os reis magos. Como já dissemos, mago, no oriente antigo, significa a mesma coisa que sábio na Roma Antiga, filósofo na Grécia, ou escriba em Israel. Portanto, os Magos não eram astrólogos, nem adivinhadores, nem feiticeiros. A graça de serem os primeiros gentios a adorarem Cristo não poderia ser dada a adoradores do demônio, como o são os astrólogos, os adivinhadores, os feiticeiros. E era comum, naquela época, que os sábios fossem também governantes, ao menos de uma parcela do povo. Por isso, são chamados de Reis Magos. Os magos eram, então, sábios, que praticavam a lei natural e cultivavam as ciências, em particular a astronomia. Sabiam, então, auxiliados pela graça, que a estrela que surgiu era a estrela do Messias, como eles mesmos dizem: “vimos sua estrela no Oriente”. Os Reis Magos sabiam que não se tratava de um fenômeno natural, mas de uma estrela milagrosa, a estrela anunciada pela profecia. Os pastores judeus, que praticavam a verdadeira religião, são levados ao Menino Jesus pelo anjo. Os Reis Magos, ainda pagãos, são levados até Ele por um milagre.
Os Reis Magos estavam provavelmente contemplando o céu quando apareceu a estrela milagrosa. Por esse fato, se nos mostra que Deus favorece aos que buscam as coisas do alto, que têm o seu pensamento elevado para as verdades eternas e para a vida eterna.
Em seguida, os Magos dizem que viram a estrela e que vieram. Viram e vieram. Vidimus et venimus. Vimos e viemos. Com grande prontidão. Não duvidaram um momento em deixar tudo para seguir a estrela de Belém. Não duvidaram em deixar tudo para vir adorar o Menino Deus. Grande prontidão em seguir a vontade de Deus.
Prontidão e confiança também. Confiança porque não conheciam o caminho por onde estavam indo. Apenas seguiam aquela estrela, confiados de que Deus só poderia lhes conduzir ao bem, ainda que com certas provações durante o percurso. Uma grande confiança tinham então os magos na providência divina, simbolizada naquela estrela. Prontidão, confiança e paciência para suportar a longa jornada e as moléstias do caminho. Tiveram paciência para suportar tudo isso porque sabiam o valor do que iriam encontrar no final.
Os Reis Magos fizeram também prova de constância e perseverança. A maior provação que tiveram foi sem dúvida o desaparecimento da estrela em Jerusalém. Poderiam ter desistido, ou se desesperado. Depois de tão longo percurso, desaparece a estrela. Todavia, certos de que Deus os tinha trazido até ali, buscam se instruir com os representantes legítimos da verdadeira religião. Eis, então, que baseados nas profecias de Miquéias, os príncipes dos sacerdotes e os escribas indicam aos Reis Magos o local do nascimento do Messias: Belém de Judá. Depois de provarem a constância, a perseverança e a fidelidade a Deus, a estrela reaparece. Em um momento ou outro de nossas vidas pode ser que algo semelhante ocorra. Pode ser que nos pareça que a providência nos abandonou. Ela nunca o fará. Mesmo nesses momentos devemos continuar perseverantes no bem.
Eles deram, também prova de fortaleza, pois não temeram a crueldade do rei Herodes, sempre pronto a trucidar cruelmente quem colocasse em cheque o seu reinado. Sem medo, os reis magos perguntam a Herodes onde está o Rei dos Judeus que nasceu. Para chegar até Cristo, não devemos temer os poderes da terra.
Finalmente, o Reis Magos entregam os presentes que traziam a Nossa Senhora. Traziam presentes porque não se podia visitar um Rei sem lhe oferecer nada. Gaspar, Melquior e Baltazar traziam ouro, incenso e mirra. Ouro porque Cristo é verdadeiramente Rei. Incenso porque ele é verdadeiramente Deus. Mirra porque o Menino é também verdadeiramente homem e conhecerá a morte para nos salvar. A Mirra era perfume usado para embalsamar os corpos. O Reis Magos entregaram, assim, os presentes a Nossa Senhora, certamente, já que o Menino Jesus não poderia recebê-los. Aquilo que eles trazem para Jesus, eles confiam a Nossa Senhora.
Devemos imitar o exemplo dos Reis Magos, caros católicos: voltados para as coisas do céu, com prontidão para seguir a vontade de Deus em todas as coisas, confiados na sua providência, com paciência, constância e perseverança face às cruzes e provações. Devemos ser fortes na fé e na caridade. Devemos professar a divindade e a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo e buscá-lo sempre. Finalmente, devemos confiar a Maria o que de bom temos a oferecer a Jesus: nossas orações, nossas boas obras, nossas cruzes carregadas com paciência… Coloquemos tudo nas mãos de Maria. Ela saberá dispor desses bens, como dispôs bem dos presentes trazidos pelos magos.
Pe. Daniel Pinheiro, IBP

9 de janeiro de 2015

Por que temos medo da morte?

Por Bruno Eduardo Vieira Santos

Há três motivos pelos quais temos medo de morrer:
       1º.  O conforto da vida atual
O homem se encontra cada vez mais embrenhado no mundo e não quer deixa-lo. Geralmente o que estamos vendo é que as pessoas colocam “todas as suas fichas” na vida aqui e não se preocupam com a “vida lá em cima” – no céu. Infelizmente ele já não consegue ter um olhar vertical, fixo no céu, só pensando no aqui e agora. Colocam o seu querer na felicidade mundana, buscando o prazer do corpo, deixando sua alma “às traças”. E por isto há medo, porque não se quer deixar essa vida de prazeres, querendo sempre mais e mais, não se preparando e pensando para o que virá depois de nossa partida, mas não com os que ficam, mas a nós que vamos. Não estão mais lembrando que esta vida é finita e que não está em nossas mãos escolher quando partiremos. Concluindo, se houver maior cuidado de nossa parte para com nossa preparação para a morte, separando-nos do mundo e seus desejos e preocupando-nos tão somente com o bem de nossa alma teremos menos temor do fim de nossos dias, já que o que aqui ficará não nos fará falta no lugar onde iremos, só irá pesar na balança o que não fizemos pela nossa alma enquanto podíamos fazê-los.
        2º.  A morte como algo desconhecido
Há, na morte, algo que desconhecemos e nos faz temer o que virá depois. Se o homem viver somente para agradar a si mesmo nunca possuirá virtudes e, por conseguinte, terá ainda mais temor, pois deixará aquilo que “conquistou” aqui. Vencer qualquer medo é dado somente pela coragem, e, nesse caso, somente pela coragem dada pela virtude. Assim, quando houver fé, os olhos serão finalmente abertos para ver que a morte não é má para eles, mas sim, boa. Entretanto, cabe aqui dizer que, os maus com certeza têm medo da morte. Pois são aqueles que apoiaram sua vida no dinheiro, nos prazeres, enfim, no mundo, era isso que os sustentava, não sabem o que os sustentará depois. E o diabo já lhe tomou a alma e a tem em seu “caderninho de recepção do inferno”.
 Entretanto, aquele que apoiou TODA sua vida em Deus, seguindo a Divina Palavra, recebendo sempre com grande fervor e adoração a Eucaristia, que viveu somente pensando e almejando o céu não terá medo, pelo contrário, considerará a morte como grande lucro, pois sabe que essa vida é só uma passagem, um ponto onde devemos parar para depois continuarmos a viagem para aquele lugar ao qual viajamos – o céu, a vida eterna.
        3º.  Quando se conhece a morte e seu fim e não crê completamente
Eis que entre aqueles que creem há um problema: não crer completamente. Eles sabem que existem três locais para onde se pode ir de acordo com a vida que teve:
O céu- para aqueles que foram verdadeiramente santos ou foram purificados no purgatório;
O purgatório- onde se purificarão as almas dos arrependidos para que possam ir totalmente limpos para o céu;
O inferno- para onde irão os servos do demônio, os mundanos e satanistas.
E ainda que eles almejem o céu não conseguem parar de temer o que acontecerá. “Será que irei para o céu? Como será isso?”. Muitas vezes trata-se de pura curiosidade, outra de inconformação, com o ser corrupto que é, o que é bom, pois ele sempre estará buscando ser perfeito por estar inconformado, porque ele sabe que o Pai quer que sejamos perfeitos como ele é perfeito.
 Mas eles muitas vezes não creem 100 %, mas somente 99. E esse 1% que resta fará grande impacto à alma do crente se ele não lutar contra essa descrença injetada que é típico da natureza humana, causada pelo pecado original.

Há, no entanto, um problema gravíssimo na atualidade: olhar tão somente um Deus misericordioso, formando-lhe uma imagem incompleta. Pensam da seguinte forma:
Se Deus é amor, não nos quer ver sofrer, quer que sejamos felizes, mesmo que pratiquemos atos homossexuais, atos impuros, enfim, busquemos o prazer. Não existe inferno, pois ele não nos entregaria ao mal.”

Sinceramente, Deus não entrega ninguém ao mal, é o ser humano que escolhe pelo mal quando quer agir sozinho sem pensar que Ele existe tem um plano traçado para nós que não inclui a permanência eterna neste mundo e muito menos viver dos prazeres do mundo. É uma minimização ao nosso querer dos planos do Pai. É como se criassem uma religião para si mesmos, onde creem no que querem e vivem como querem sendo senhores de si mesmo, tendo Deus como “alguém” que só se pensa depois da morte. E por isso o Pai os entregou aos seus próprios quereres (Romanos 1,24) e o diabo tomou suas almas para si e as lançará no fogo eterno do inferno.

Sugestões de livros:

Preparação para a morte- Santo Afonso Maria de Ligório

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Existe o Inferno? - Pe. La Croix

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24 de dezembro de 2014

As Antífonas do Ó – Preparação para o Natal (Sermão)

por Pe. Daniel Pinheiro

“Derramai, ó céus, das alturas o vosso orvalho e que as nuvens chovam o justo.”
  A Santa Igreja nos prepara para o Natal do Menino Deus com diligência. Pelas penitências, pelas orações, pela riquíssima liturgia do advento. Dentro da liturgia do advento, merece especial destaque as chamadas Antífonas Ó. As Antífonas Ó são pequenos textos que precedem o canto do Magnificat, quer dizer, precedem o canto daquelas palavras ditas por Nossa Senhora em resposta aos elogios de Santa Isabel quando da visitação. A Igreja nos faz cantar as Antífonas Ó do dia 17 ao dia 23 de dezembro. Elas recebem o nome de Ó porque é assim que começam: O Sapientia – Ó Sabedoria; O Rex gentium– Ó Rei dos povos. São essas antífonas que estão na origem do título de Nossa Senhora do Ó, dado a Nossa Senhora grávida do Menino Jesus. As Antífonas Ó são um tesouro precioso da liturgia católica que foi esquecido pelo tempo, assim como tantos outros tesouros foram rejeitados ou simplesmente foram relegados ao esquecimento.
  Nessas antífonas, após a exclamação Ó, que expressa nosso desejo pela vinda de Jesus Cristo em nossas almas e pela sua vinda como juiz soberano, fala-se um dos títulos messiânicos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Percorramos um pouco essa fonte de vida espiritual que São as Antífonas Ó.
  No dia 17, canta-se O Sapientia, Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo, atingindo de um extremo (da criação) ao outro, dispondo todas as coisas com força e suavidade: vinde para nos ensinar o caminho da prudência. Aquele que vem é o Verbo de Deus, é a Sabedoria de Deus. Aquele que vem é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Sabedoria, exaltada no Antigo Testamento com um livro próprio, se encarna. É a Sabedoria que governa todas as coisas, dispondo tudo com suavidade, sem que às vezes nem percebamos, mas que dispõe também com força, a fim de que Deus seja glorificado, mesmo quando permite os males para tirar deles um bem. Portanto, o Menino Jesus é a Sabedoria de Deus encarnada. É a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Aquele Menino reclinado na manjedoura, com frio, enrolado em alguns trapos de tecido, é não somente um homem especial, mas é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Ele não consegue falar, mas é a sabedoria eterna, que com o Pai e o Espírito Santo é um só Deus, que governa todas as coisas.
   No dia 18, canta-se O Adonai.  Ó Adonai e guia da casa de Israel, que aparecestes para Moisés no fogo da sarça ardente e lhe destes a lei no Monte Sinai: vinde para nos redimir com a força do teu braço. Aquele que vem é o mesmo que guiou o povo judeu com a sua onipotência. É o mesmo Deus que fez a aliança com o povo hebreu e que vem agora estabelecer a nova e eterna aliança. Ele toma, então, um corpo, faz-se carne para nos redimir com a força do seu braço, com a efusão do seu sangue. É com esse sangue, com seu sacrifício na cruz que Jesus Cristo estabelece a nova lei.
    No dia 19, cantamos O Radix Jesse. Ó Raiz de Jessé, que estais posta como sinal para os povos, diante do qual os reis se calam e a quem todos os povos invocarão: vinde para nos libertar, não demoreis mais. Jessé era o Pai do Rei Davi, de quem Jesus Cristo é descendente. É da árvore de Jessé que o Menino Deus vem ao mundo. Sim, além de ser a Sabedoria eterna e o Senhor, ele é também perfeitamente homem, como nós, excetuando o pecado e a inclinação para o mal. Ele é o fruto da árvore de Jessé que vem trazer o remédio para o fruto do pecado, comido por Adão e Eva. Ele vem nos libertar não de uma opressão qualquer como querem os comunistas que pretendem fazer teologia. Ele vem nos libertar do pecado. Sendo Deus, Ele é não somente o fruto, mas também a raiz, porque é o criador de todas as coisas.
   No dia 20, cantamos O Claves David. Ó Chave de Davi e Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha; que fechais e ninguém abre: vinde e tirai do cárcere o prisioneiro que está imerso nas trevas e na sombra da morte. Parece peculiar chamar o Salvador de chave de Davi. Mas é bem normal. Davi é o Rei por excelência do povo judeu. A chave de Davi representa esse poder real, de ligar e desligar, de abrir e fechar. Assim, Nosso Senhor dará as chaves do reino dos céus a São Pedro, dando-lhe o poder supremo na Igreja. Aqui está expresso, então, o poder de rei desse Menino que nasce despojado de tudo no estábulo de Belém, mas a quem o Pai deu todo poder no céu e na terra. É esse Divino Menino que, na sua vida pública, vai nos dar a nova lei, a lei do Evangelho, para renovar a face da terra. Herodes o teme. Ele veio nos abrir a porta do céu, transmitindo-nos as verdades eternas, dando-nos os sacramentos. Ele veio nos tirar das trevas e da sombra da morte, isto é, do erro e do pecado. O pecado ainda não é a morte eterna, mas é a sombra da morte eterna que paira sobre aquele que está em estado de pecado mortal, pecado grave. Esse Menino veio nos tirar das trevas e da sombra da morte.
   Hoje, dia 21, canta-se O Oriens. Ó Oriente, esplendor da luz eterna e sol de justiça: vinde e iluminai os que estão nas trevas e na sombra da morte. Esse Menino é o Oriente, Ele é o sol que nasce. Luz da luz, Deus de Deus, Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro. Esplendor perfeito da luz eterna, que é Deus Pai. Sol de justiça que nos veio trazer a santidade. Oriente é o nascer do sol que dissipa as trevas. O nascimento do Menino Jesus começa já a dissipar as trevas. São José e a Virgem Maria são ainda mais santificados com o nascimento dEle. Os anjos exultam no céu ao ver o Deus deles feito homem. Os pastores são já atraídos por Ele, assim como os Reis Magos. O Oriente, que é Jesus Cristo, começa a já a santificar as almas, a levá-las para Deus.
   No dia 22, cantamos O Rex gentium. Ó Rei das nações e desejado por elas, pedra angular, que fazes dos dois povos um só: vinde e salvai o homem que formaste do limo da terra. Ele é o Rei das nações, dos povos. Não um rei terreno, como pensou erroneamente Herodes, procurando, por causa disso, matá-lo. Seu reino é espiritual, mas está presente nesse mundo. Seu reino é a Igreja Católica. Ele veio reinar sobre toda criatura, de modo especial sobre a nossa alma, sobre a nossa inteligência e a nossa vontade. Ele veio reinar sobre toda e qualquer sociedade, começando pelas famílias, mas também as nações e os estados. Ele veio para reinar sobre todos. Ele é a pedra angular, que quer reunir na única verdadeira religião – a católica – judeus e gentios, como a pedra angular reúne as duas paredes de uma casa. Todos são chamados a se submeter a Nosso Senhor.
  No dia 23 canta-se a última Antífona: O Emmanuel. Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança e Salvação dos povos: vinde para nos salvar, Senhor, Deus nosso. Aquele Menino é Emanuel. Ele é verdadeiramente Deus conosco. Ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, como já dissemos. Assim sendo, Ele é necessariamente nosso Rei e nosso Legislador. Ele é também a esperança dos povos. Hoje, sintomaticamente, em nossa sociedade, perdeu-se a esperança. As pessoas andam como desesperadas, como se a vida não tivesse significado. Perdeu-se a esperança verdadeira, isto é, de vida eterna, porque perdeu-se Jesus Cristo. O Menino Deus, vindo ao mundo, tem como finalidade nos salvar. Para isso, o Verbo Se fez carne. A finalidade da encarnação é a nossa salvação. Um Deus que nos amou tanto que se dignou nascer em um estábulo em Belém e sofrer enormemente toda a sua vida para nos salvar. Consideremos os títulos do Salvador, as qualidades d'Ele e as suas ações contidas nas Antífonas Ó. Fazendo isso poderemos nos preparar bem para o Natal do Senhor, nos convertendo a Ele. Ele veio para nos salvar.

Fonte: missatridentinaembrasilia.org/2014/12/23/sermao-as-antifonas-o-preparacao-para-o-natal/

21 de dezembro de 2014

Uma liturgia de achismos

por Bruno Eduardo Vieira Santos
Co-fundador da BNEV

A liturgia romana se encontra banhada em achismos, manipulações, fazendo com que hoje não se celebre mais um único rito, como era feito antes do Vaticano II, mas a liturgia de cada país. Sinto muito, mas tal Concílio contribuiu bastante, mesmo que indiretamente, para haver uma autodemolição da Igreja, e isso não sou eu quem diz, mas o próprio Paulo VI, Papa que continuou e encerrou o Concílio em 1965. E ele continua. Disse que ao tentar abrir as portas da Igreja, no chamado “aggiornamento” de João XXIII, para que os fiéis entrassem, entrou também a fumaça do demônio no Templo de Deus. E quão sério é isso. Veja que uma tentativa de agradar aos homens agradou também ao demônio e não ao Pai. E digo-lhe por fim que, quando se quer agradar ao mundo, não se agrada ao Senhor. Mas se se lutar para agradar tão somente ao Senhor, naturalmente, os homens de boa vontade serão agradados.
É vergonhoso chegar a uma igreja que, já pelo templo, parece um galpão ou uma igreja protestante. Entra-se nela e vê-se que se aproxima mais ainda dos protestantes: pouquíssimos símbolos religiosos (imagens, quadros, pinturas, vitrais), um altar que parece uma mesa de cozinha. E depois se inicia a Missa, o espetáculo com plateia e apresentador. Falta de zelo, de respeito por Deus. Como querem que resida ali o Senhor se os Sagrados Mistérios estão banhados na vergonha de sacerdotes manipuladores de liturgia e sacrílegos infiéis? Ao menos na liturgia Tridentina não haviam essas vergonhas, pois não existia liberdade para criatividade ou a mal interpretada inculturação litúrgica. Mas sobre esse último ponto, veja bem, para quê colocar isso para a Missa? Inculturação litúrgica nada mais é do que os cantos e língua na liturgia, e só. Nada de danças africanas nessas “Missas Afro” dizendo eles que colocaram “pequenos” aspectos da África na missa. Nada de danças sulistas na chamada "Missa gaúcha". E nem danças carregando a Bíblia, vela ou seja lá o que for. Não é inculturação, é falta de piedade litúrgica. 
Nosso Senhor quer um só culto, o agradável ao Pai. Mas como isso é possível se em cada país, ou ainda, em cada estado ou cidade, se celebra de uma forma?
E se inicia a perseguição aos conservadores. Dizem que têm medo do novo. Não. Eles têm medo é do vergonhoso progressismo litúrgico atual. Buscam guardar a sacralidade dos ritos e por isso são chamados de retrógrados. E o que dizer dos modernistas que fazem da Santa Missa um circo? São mais perigosos que material nuclear. São capazes de causar às almas a perdição eterna, levá-las a pensar que dessa forma se agrada a Deus. E a eles dão crédito e dizem que são bons e normais. Esse tipo de normal é o mesmo daqueles que, ao morrer, vão para o inferno. O modernismo  é a pior das heresias e não se pode dizer mais. Pensam que tem que ser bonito para todos, se for Jesus gostou, seguindo o ditado “a voz do povo é a voz de Deus”. Cobras venenosas! São um perigo para a fé católica, tão questionada e desacreditada hoje em dia.
Será preciso que Nosso Senhor utilize-se do “chicote de corda” para destruir essas vergonhas? Mas agora não se trata da temporalização (fazer de algo cada vez mais temporal, relativo a dinheiro e bens) do templo, mas da destruição gradual do Sacrifício de Cristo por meio de sacerdotes que manipularam e manipulam os sagrados ritos.
E infelizmente os bispos não fazem nada. Preocupam-se com questões ecológicas em plena crise de fé não só no Brasil, mas em todo o mundo. Ficam preocupados com o impacto da mineração no meio ambiente ao invés de ir contra o modernismo de tantos padres que põem danças, teatros, na missa fazendo dela um espetáculo de circo e não mais o sacrifício do Cristo. 
Vemos que Roma busca "fechar o cerco" para os modernismos litúrgicos. Entretanto, a cada ato aparece "outra coisa 'bonitinha e emocionante' que seria bom colocar na Missa". Por exemplo, no dia de Pentecostes, neste mesmo ano de 2014, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicou uma carta proibindo alguns pontos do rito da paz (canto da paz, o sacerdote sair do presbitério para dar a paz, pessoas andando pela igreja inteira para desejar a paz). Alguns setores da Igreja no Brasil seguiram. Outros fingiram que não leram ou escutaram nada e outros ainda nem chegaram a saber. E é este o problema. Temos o exemplos de Bento XVI, que iniciou a "Reforma da Reforma" buscando a maior valorização e respeito pela liturgia da Igreja. E seu trabalho deve continuar. Não somente por mãos de papas, cardeais ou bispos mas também por cada um de nós. Como? Não batendo palmas na missa, não promovendo dancinhas, teatrinhos, zelando para com a liturgia se algum de vocês que leem são coroinhas, cerimoniários, ministros, etc., enfim, promover um novo olhar da liturgia da Igreja, buscando um culto uno e aos moldes do querer de Cristo: Seu sacrifício incruento realizado dignamente aqui na Terra agrandando ao Eterno Pai.

19 de dezembro de 2014

Meios para alegrar a alma (Sermão)

Sermão para o 3º domingo do advento
Estamos hoje no 3º Domingo do Advento, Domingo chamado Gaudete, em razão da primeira palavra do Introito e em razão da Epístola. Trata-se de uma pequena pausa na penitência do advento, para antecipar a alegria do nascimento do Salvador. Do roxo se passa ao rosa, o órgão se toca, pode haver flores sobre o altar.
Lembro aos pais que devem explicar para as crianças o que é o Natal: que é o nascimento de Cristo e não a festa do Papai Noel ou uma simples troca de presentes nas férias.
Gaudete semper in Domino, iterum dico, gaudete. Alegrai-vos sempre no Senhor. Digo de novo, alegrai-vos.”
A ordem que nos dá hoje a Igreja, tomando as palavras de São Paulo, é essencial. Gaudete semper in Domino. Alegrai-vos sempre no Senhor. Essa advertência é importantíssima porque a alegria é indispensável para que possamos perseverar no bem, na graça. Nós devemos compreender que devemos ser profundamente alegres, se estamos em estado de graça e nos mantemos, assim, unidos a Deus. Com a graça santificante em nossas almas, sem o pecado mortal, possuímos o maior bem que podemos desejar, possuímos o maior bem que existe, que é a Santíssima Trindade, e não há alegria maior do que possuir o maior bem. Nossa alegria deve ser profunda e grande se estamos unidos a Deus, mesmo em meio a todos os males. É claro que essa alegria não significa estar sempre sorrindo. Não. Nosso Senhor na cruz não sorria, mas estava profundamente alegre na parte superior de sua alma, pois cumpria a vontade de Deus e, com todos os seus sofrimentos, oferecia um sacrifício perfeito à Santíssima Trindade e realizava a nossa redenção. Um católico deve ser profundamente alegre, sempre, no Senhor.
O Padre Ambrósio de Lombez, em seu livro “Tratado da Alegria da alma cristã”, enumera os principais meios para que sejamos alegres no Senhor. Baseado nele, podemos enumerar alguns desses meios. O primeiro deles é manter-se na justiça, quer dizer, na prática da virtude. A alma cuja consciência está tranquila e bem regrada pode ficar continuamente alegre. O segundo meio que podemos enumerar é ocupar o espírito com aquilo que pode alegrar a nossa alma. Isso não diz respeito ao que agrada à sensualidade, à vaidade, à ambição ou outra coisa desordenada. Não, o que devemos considerar aqui é, por exemplo, o amor de Deus por nós, que se encarnou e veio ao mundo para nos salvar, e nos salvar sofrendo e morrendo por nós sobre a cruz. Em particular, nesse tempo do advento, devemos ocupar muitíssimo nosso espírito com a caridade divina, com o Menino Deus que vem ao mundo para nos salvar. O terceiro meio para ter essa verdadeira alegria é pedir a Deus tal alegria. Tudo o que temos de bom, recebemos de Deus. Portanto, também essa alegria nos vem de Deus e devemos pedi-la, se quisermos possuí-la. O Padre Lombez nos diz também que essa alegria não é dada aos covardes e mornos, tíbios. Portanto, buscar amar a Deus sobre todas as coisas com afinco e servi-lo com prontidão da vontade e generosidade é o quarto meio necessário para alcançar essa alegria. Para alcançar essa alegria, é preciso também uma grande confiança em Deus, sabendo que todas as coisas conspiram para o bem daqueles que amam a Deus, mesmo os sofrimentos e as provações. Outro meio necessário é extinguir em nós o apego desordenado aos bens desse mundo. São esses alguns dos meios que o Padre Ambrósio de Lombez enumera e explica em seu livro e que são indispensáveis para a alegria da alma. Se pudéssemos resumir, podemos dizer que a alegria da alma nada mais é que um fruto da santidade, isto é, fruto da união profunda com Deus, fruto da conformidade plena da nossa vontade com a vontade de Deus.
Essa verdadeira alegria, essa alegria de praticar a virtude, de amar a Deus, de servi-lo com prontidão é um grande tesouro, necessário para perseverarmos até o fim e alcançarmos a alegria plena no céu. Poderíamos, porém, acrescentar, aos meios que o Padre Lombez enumera, a liturgia tradicional. Ela é um tesouro que nos conduz à verdadeira alegria e que deve nos alegrar. Não é por acaso que na Missa tradicional fala-se três vezes do “Deus que alegra a nossa juventude”. A nossa juventude que se alegra em Deus é o homem novo, gerado pela graça, pelo abandono do pecado, pela prática das virtudes. Portanto, a Missa Tradicional está distante de ser uma liturgia triste. Ela é, ao contrário, uma liturgia perfeitamente alegre. Ela é alegre porque nos transmite plenamente a verdade ensinada por Cristo. Ela é alegre porque pelos ritos e solenidade sóbria, nos deixa manifesta a majestade divina e sua onipotência, nos fazendo ter grande confiança nEle. Ela é alegre porque de modo claríssimo renova o sacrifício de Cristo na Cruz, aplicando as graças que Ele mereceu no Calvário, nos fazendo, assim, ver a bondade divina. Ela é alegre porque nos converte inteiramente a Deus, desde a posição do padre no altar, até o modo de os fiéis comungarem, passando pelo latim e pelo silêncio. Ela é alegre porque, por seus ritos abundantes e orações perfeitas, alcança de Deus inúmeras graças que nos dispõem a receber devidamente os frutos da Santa Missa. Ela é alegre porque nos conduz ao desapego dos bens terrenos e ao desapego de nossa vontade própria, ao nos centrar inteiramente em Deus, esquecidos de nós e do mundo. Ela é alegre porque nos ensina a rezar bem, como dissemos quando tratamos do silêncio em outro sermão. E quem reza bem se salva. Ela é alegre porque coloca Deus e nós homens nos nossos devidos lugares. Ele, no centro, com sua soberana majestade, com sua onipotência, com todas as suas perfeições, com sua misericórdia e justiça, com sua bondade infinita. Nós, como pobres pecadores, que devemos adorar a Deus, que devemos agradecer-lhe por todos as graças que recebemos,  que devemos pedir perdão por nossos pecados, que devemos implorar as graças que precisamos para nos salvar. Ela é alegre porque ontem, hoje e sempre, nos conduz à santidade com toda segurança. Que grande meio é a liturgia tradicional para sermos felizes sempre no Senhor.
Com muita frequência, todavia, aqueles que buscam com seriedade amar a Deus sobre todas as coisas, e buscam a salvação da própria alma e a salvação do próximo são tentados por uma má tristeza. A má tristeza pode ser de dois tipos. A primeira delas é uma má tristeza em si mesma, quer dizer, quando nos entristecemos por algo que na verdade é um bem. Um exemplo dessa má tristeza seria entristecer-se por ter de vir à Missa no domingo, ou entristecer-se por não poder dizer uma grosseria. A segunda má tristeza, a que atinge principalmente os bons, é uma tristeza que tem razão de ser, mas que tem consequências ruins. Vemos, constantemente, os bons católicos tristes pelas ofensas que se cometem contra Deus, pelas infidelidades dos homens de todas as posições, pelo estado da Igreja e da sociedade, pelo desprezo com o que há de mais sagrado e pelo desprezo para com a lei natural. De fato, como não se entristecer diante de uma sociedade que sacrifica os filhos, pelo aborto, no altar da comodidade e do prazer e que se alegra em aprovar publicamente pecados que clamam aos céus por vingança, como o homossexualismo? Há motivo para que haja tristeza, não tem dúvidas. Todavia, será uma tristeza ruim, se, como consequência, ela nos leva ao abatimento da alma, se ela nos faz perder a confiança em Deus e nos faz perder o desejo de rezar. Ela será uma tristeza ruim, se ela nos faz buscar divertimentos exteriores ilícitos ou se nos faz buscar, mais do que o devido, divertimentos lícitos. Essa tristeza ruim nos impede muitas vezes de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora, sob pretexto de que a situação da Igreja está muito difícil, ou com a desculpa de que já não se pode fazer nada ou porque, às vezes, aqueles que mais deveriam nos ajudar, infelizmente, atrapalham. Essa má tristeza é, lastimavelmente, bastante comum, mesmo entre bons católicos. Ela é uma praga. Como nos diz a Sagrada Escritura (Eclesiástico 30, 24 e 25): Fixa o teu coração na santidade do mesmo Deus e afasta para longe de ti a tristeza, pois a tristeza matou muitos e nela não tem utilidade. A tristeza, dominando muitas almas, matou-as espiritualmente, paralisando-as, levando-as ao desencorajamento, ao desespero. É preciso afastar com toda força para longe de nós essa tristeza. Diante dos verdadeiros males, devemos reagir com uma tristeza cristã, se assim podemos chamá-la: uma tristeza que nos leva à oração e ao fervor no serviço de Deus, que nos leva a buscar a união profunda com Deus, onde está a nossa verdadeira consolação, que não é uma consolação sensível. Essa boa tristeza não nos impede de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora na nossa escala. Ao contrário, ela nos conduz a praticar esse bem com intensidade. A boa tristeza sabe tirar dos males um bem, sempre. Essa boa tristeza é motivo de alegria no fundo, pois ao nos fazer progredir na união com Deus e na prática da virtude, nos leva à alegria. Ela nos fixa em Deus.
Portanto, caros católicos, alegremo-nos sempre no Senhor. Afastemos para longe de nós a tristeza que nos tira as forças e nos conduz à morte espiritual. Devemos servir a Deus com alegria (Salmo 99, 2) e devemos nos rejubilar no Senhor (Salmo 99, 1), como nos diz a Sagrada Escritura. Deus alegrará a juventude da nossa alma, se aplicarmos os meios de que falamos.. Deus não nos quer sorrindo o tempo todo como diz uma canção que se canta por aí, mas Ele quer que sejamos profundamente alegres, de uma alegria e entusiasmo espirituais. O demônio e o mundo, por sua vez, querem nos fazer acreditar que ser católico é algo triste e melancólico, pois o católico renuncia a vários bens desse mundo. Um católico não aproveita a vida, se diz. Que grande ilusão o demônio e o mundo nos apresentam. É preciso, sobretudo, deixar claro para nossas crianças e jovens que ser católico é uma grande alegria. O católico abandona os bens aparentes desse mundo para possuir o verdadeiro bem, que é a Santíssima Trindade. Um católico aproveita mais do que ninguém a vida e a aproveita muito bem, juntando tesouros eternos. Alegrai-vos sempre no Senhor. Digo de novo, alegrai-vos.

Fonte:http://missatridentinaembrasilia.org/2014/12/18/sermao-meios-para-alegrar-a-alma-2/