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13 de janeiro de 2015

Os Reis Magos e suas lições para nós (Sermão)

Antes de considerarmos os exemplos dos Reis Magos, é bom ter bem presente quem eram os reis magos. Como já dissemos, mago, no oriente antigo, significa a mesma coisa que sábio na Roma Antiga, filósofo na Grécia, ou escriba em Israel. Portanto, os Magos não eram astrólogos, nem adivinhadores, nem feiticeiros. A graça de serem os primeiros gentios a adorarem Cristo não poderia ser dada a adoradores do demônio, como o são os astrólogos, os adivinhadores, os feiticeiros. E era comum, naquela época, que os sábios fossem também governantes, ao menos de uma parcela do povo. Por isso, são chamados de Reis Magos. Os magos eram, então, sábios, que praticavam a lei natural e cultivavam as ciências, em particular a astronomia. Sabiam, então, auxiliados pela graça, que a estrela que surgiu era a estrela do Messias, como eles mesmos dizem: “vimos sua estrela no Oriente”. Os Reis Magos sabiam que não se tratava de um fenômeno natural, mas de uma estrela milagrosa, a estrela anunciada pela profecia. Os pastores judeus, que praticavam a verdadeira religião, são levados ao Menino Jesus pelo anjo. Os Reis Magos, ainda pagãos, são levados até Ele por um milagre.
Os Reis Magos estavam provavelmente contemplando o céu quando apareceu a estrela milagrosa. Por esse fato, se nos mostra que Deus favorece aos que buscam as coisas do alto, que têm o seu pensamento elevado para as verdades eternas e para a vida eterna.
Em seguida, os Magos dizem que viram a estrela e que vieram. Viram e vieram. Vidimus et venimus. Vimos e viemos. Com grande prontidão. Não duvidaram um momento em deixar tudo para seguir a estrela de Belém. Não duvidaram em deixar tudo para vir adorar o Menino Deus. Grande prontidão em seguir a vontade de Deus.
Prontidão e confiança também. Confiança porque não conheciam o caminho por onde estavam indo. Apenas seguiam aquela estrela, confiados de que Deus só poderia lhes conduzir ao bem, ainda que com certas provações durante o percurso. Uma grande confiança tinham então os magos na providência divina, simbolizada naquela estrela. Prontidão, confiança e paciência para suportar a longa jornada e as moléstias do caminho. Tiveram paciência para suportar tudo isso porque sabiam o valor do que iriam encontrar no final.
Os Reis Magos fizeram também prova de constância e perseverança. A maior provação que tiveram foi sem dúvida o desaparecimento da estrela em Jerusalém. Poderiam ter desistido, ou se desesperado. Depois de tão longo percurso, desaparece a estrela. Todavia, certos de que Deus os tinha trazido até ali, buscam se instruir com os representantes legítimos da verdadeira religião. Eis, então, que baseados nas profecias de Miquéias, os príncipes dos sacerdotes e os escribas indicam aos Reis Magos o local do nascimento do Messias: Belém de Judá. Depois de provarem a constância, a perseverança e a fidelidade a Deus, a estrela reaparece. Em um momento ou outro de nossas vidas pode ser que algo semelhante ocorra. Pode ser que nos pareça que a providência nos abandonou. Ela nunca o fará. Mesmo nesses momentos devemos continuar perseverantes no bem.
Eles deram, também prova de fortaleza, pois não temeram a crueldade do rei Herodes, sempre pronto a trucidar cruelmente quem colocasse em cheque o seu reinado. Sem medo, os reis magos perguntam a Herodes onde está o Rei dos Judeus que nasceu. Para chegar até Cristo, não devemos temer os poderes da terra.
Finalmente, o Reis Magos entregam os presentes que traziam a Nossa Senhora. Traziam presentes porque não se podia visitar um Rei sem lhe oferecer nada. Gaspar, Melquior e Baltazar traziam ouro, incenso e mirra. Ouro porque Cristo é verdadeiramente Rei. Incenso porque ele é verdadeiramente Deus. Mirra porque o Menino é também verdadeiramente homem e conhecerá a morte para nos salvar. A Mirra era perfume usado para embalsamar os corpos. O Reis Magos entregaram, assim, os presentes a Nossa Senhora, certamente, já que o Menino Jesus não poderia recebê-los. Aquilo que eles trazem para Jesus, eles confiam a Nossa Senhora.
Devemos imitar o exemplo dos Reis Magos, caros católicos: voltados para as coisas do céu, com prontidão para seguir a vontade de Deus em todas as coisas, confiados na sua providência, com paciência, constância e perseverança face às cruzes e provações. Devemos ser fortes na fé e na caridade. Devemos professar a divindade e a humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo e buscá-lo sempre. Finalmente, devemos confiar a Maria o que de bom temos a oferecer a Jesus: nossas orações, nossas boas obras, nossas cruzes carregadas com paciência… Coloquemos tudo nas mãos de Maria. Ela saberá dispor desses bens, como dispôs bem dos presentes trazidos pelos magos.
Pe. Daniel Pinheiro, IBP

24 de dezembro de 2014

As Antífonas do Ó – Preparação para o Natal (Sermão)

por Pe. Daniel Pinheiro

“Derramai, ó céus, das alturas o vosso orvalho e que as nuvens chovam o justo.”
  A Santa Igreja nos prepara para o Natal do Menino Deus com diligência. Pelas penitências, pelas orações, pela riquíssima liturgia do advento. Dentro da liturgia do advento, merece especial destaque as chamadas Antífonas Ó. As Antífonas Ó são pequenos textos que precedem o canto do Magnificat, quer dizer, precedem o canto daquelas palavras ditas por Nossa Senhora em resposta aos elogios de Santa Isabel quando da visitação. A Igreja nos faz cantar as Antífonas Ó do dia 17 ao dia 23 de dezembro. Elas recebem o nome de Ó porque é assim que começam: O Sapientia – Ó Sabedoria; O Rex gentium– Ó Rei dos povos. São essas antífonas que estão na origem do título de Nossa Senhora do Ó, dado a Nossa Senhora grávida do Menino Jesus. As Antífonas Ó são um tesouro precioso da liturgia católica que foi esquecido pelo tempo, assim como tantos outros tesouros foram rejeitados ou simplesmente foram relegados ao esquecimento.
  Nessas antífonas, após a exclamação Ó, que expressa nosso desejo pela vinda de Jesus Cristo em nossas almas e pela sua vinda como juiz soberano, fala-se um dos títulos messiânicos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Percorramos um pouco essa fonte de vida espiritual que São as Antífonas Ó.
  No dia 17, canta-se O Sapientia, Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo, atingindo de um extremo (da criação) ao outro, dispondo todas as coisas com força e suavidade: vinde para nos ensinar o caminho da prudência. Aquele que vem é o Verbo de Deus, é a Sabedoria de Deus. Aquele que vem é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. A Sabedoria, exaltada no Antigo Testamento com um livro próprio, se encarna. É a Sabedoria que governa todas as coisas, dispondo tudo com suavidade, sem que às vezes nem percebamos, mas que dispõe também com força, a fim de que Deus seja glorificado, mesmo quando permite os males para tirar deles um bem. Portanto, o Menino Jesus é a Sabedoria de Deus encarnada. É a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Aquele Menino reclinado na manjedoura, com frio, enrolado em alguns trapos de tecido, é não somente um homem especial, mas é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Ele não consegue falar, mas é a sabedoria eterna, que com o Pai e o Espírito Santo é um só Deus, que governa todas as coisas.
   No dia 18, canta-se O Adonai.  Ó Adonai e guia da casa de Israel, que aparecestes para Moisés no fogo da sarça ardente e lhe destes a lei no Monte Sinai: vinde para nos redimir com a força do teu braço. Aquele que vem é o mesmo que guiou o povo judeu com a sua onipotência. É o mesmo Deus que fez a aliança com o povo hebreu e que vem agora estabelecer a nova e eterna aliança. Ele toma, então, um corpo, faz-se carne para nos redimir com a força do seu braço, com a efusão do seu sangue. É com esse sangue, com seu sacrifício na cruz que Jesus Cristo estabelece a nova lei.
    No dia 19, cantamos O Radix Jesse. Ó Raiz de Jessé, que estais posta como sinal para os povos, diante do qual os reis se calam e a quem todos os povos invocarão: vinde para nos libertar, não demoreis mais. Jessé era o Pai do Rei Davi, de quem Jesus Cristo é descendente. É da árvore de Jessé que o Menino Deus vem ao mundo. Sim, além de ser a Sabedoria eterna e o Senhor, ele é também perfeitamente homem, como nós, excetuando o pecado e a inclinação para o mal. Ele é o fruto da árvore de Jessé que vem trazer o remédio para o fruto do pecado, comido por Adão e Eva. Ele vem nos libertar não de uma opressão qualquer como querem os comunistas que pretendem fazer teologia. Ele vem nos libertar do pecado. Sendo Deus, Ele é não somente o fruto, mas também a raiz, porque é o criador de todas as coisas.
   No dia 20, cantamos O Claves David. Ó Chave de Davi e Cetro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha; que fechais e ninguém abre: vinde e tirai do cárcere o prisioneiro que está imerso nas trevas e na sombra da morte. Parece peculiar chamar o Salvador de chave de Davi. Mas é bem normal. Davi é o Rei por excelência do povo judeu. A chave de Davi representa esse poder real, de ligar e desligar, de abrir e fechar. Assim, Nosso Senhor dará as chaves do reino dos céus a São Pedro, dando-lhe o poder supremo na Igreja. Aqui está expresso, então, o poder de rei desse Menino que nasce despojado de tudo no estábulo de Belém, mas a quem o Pai deu todo poder no céu e na terra. É esse Divino Menino que, na sua vida pública, vai nos dar a nova lei, a lei do Evangelho, para renovar a face da terra. Herodes o teme. Ele veio nos abrir a porta do céu, transmitindo-nos as verdades eternas, dando-nos os sacramentos. Ele veio nos tirar das trevas e da sombra da morte, isto é, do erro e do pecado. O pecado ainda não é a morte eterna, mas é a sombra da morte eterna que paira sobre aquele que está em estado de pecado mortal, pecado grave. Esse Menino veio nos tirar das trevas e da sombra da morte.
   Hoje, dia 21, canta-se O Oriens. Ó Oriente, esplendor da luz eterna e sol de justiça: vinde e iluminai os que estão nas trevas e na sombra da morte. Esse Menino é o Oriente, Ele é o sol que nasce. Luz da luz, Deus de Deus, Deus Verdadeiro de Deus verdadeiro. Esplendor perfeito da luz eterna, que é Deus Pai. Sol de justiça que nos veio trazer a santidade. Oriente é o nascer do sol que dissipa as trevas. O nascimento do Menino Jesus começa já a dissipar as trevas. São José e a Virgem Maria são ainda mais santificados com o nascimento dEle. Os anjos exultam no céu ao ver o Deus deles feito homem. Os pastores são já atraídos por Ele, assim como os Reis Magos. O Oriente, que é Jesus Cristo, começa a já a santificar as almas, a levá-las para Deus.
   No dia 22, cantamos O Rex gentium. Ó Rei das nações e desejado por elas, pedra angular, que fazes dos dois povos um só: vinde e salvai o homem que formaste do limo da terra. Ele é o Rei das nações, dos povos. Não um rei terreno, como pensou erroneamente Herodes, procurando, por causa disso, matá-lo. Seu reino é espiritual, mas está presente nesse mundo. Seu reino é a Igreja Católica. Ele veio reinar sobre toda criatura, de modo especial sobre a nossa alma, sobre a nossa inteligência e a nossa vontade. Ele veio reinar sobre toda e qualquer sociedade, começando pelas famílias, mas também as nações e os estados. Ele veio para reinar sobre todos. Ele é a pedra angular, que quer reunir na única verdadeira religião – a católica – judeus e gentios, como a pedra angular reúne as duas paredes de uma casa. Todos são chamados a se submeter a Nosso Senhor.
  No dia 23 canta-se a última Antífona: O Emmanuel. Ó Emanuel, nosso Rei e Legislador, esperança e Salvação dos povos: vinde para nos salvar, Senhor, Deus nosso. Aquele Menino é Emanuel. Ele é verdadeiramente Deus conosco. Ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, como já dissemos. Assim sendo, Ele é necessariamente nosso Rei e nosso Legislador. Ele é também a esperança dos povos. Hoje, sintomaticamente, em nossa sociedade, perdeu-se a esperança. As pessoas andam como desesperadas, como se a vida não tivesse significado. Perdeu-se a esperança verdadeira, isto é, de vida eterna, porque perdeu-se Jesus Cristo. O Menino Deus, vindo ao mundo, tem como finalidade nos salvar. Para isso, o Verbo Se fez carne. A finalidade da encarnação é a nossa salvação. Um Deus que nos amou tanto que se dignou nascer em um estábulo em Belém e sofrer enormemente toda a sua vida para nos salvar. Consideremos os títulos do Salvador, as qualidades d'Ele e as suas ações contidas nas Antífonas Ó. Fazendo isso poderemos nos preparar bem para o Natal do Senhor, nos convertendo a Ele. Ele veio para nos salvar.

Fonte: missatridentinaembrasilia.org/2014/12/23/sermao-as-antifonas-o-preparacao-para-o-natal/

19 de dezembro de 2014

Meios para alegrar a alma (Sermão)

Sermão para o 3º domingo do advento
Estamos hoje no 3º Domingo do Advento, Domingo chamado Gaudete, em razão da primeira palavra do Introito e em razão da Epístola. Trata-se de uma pequena pausa na penitência do advento, para antecipar a alegria do nascimento do Salvador. Do roxo se passa ao rosa, o órgão se toca, pode haver flores sobre o altar.
Lembro aos pais que devem explicar para as crianças o que é o Natal: que é o nascimento de Cristo e não a festa do Papai Noel ou uma simples troca de presentes nas férias.
Gaudete semper in Domino, iterum dico, gaudete. Alegrai-vos sempre no Senhor. Digo de novo, alegrai-vos.”
A ordem que nos dá hoje a Igreja, tomando as palavras de São Paulo, é essencial. Gaudete semper in Domino. Alegrai-vos sempre no Senhor. Essa advertência é importantíssima porque a alegria é indispensável para que possamos perseverar no bem, na graça. Nós devemos compreender que devemos ser profundamente alegres, se estamos em estado de graça e nos mantemos, assim, unidos a Deus. Com a graça santificante em nossas almas, sem o pecado mortal, possuímos o maior bem que podemos desejar, possuímos o maior bem que existe, que é a Santíssima Trindade, e não há alegria maior do que possuir o maior bem. Nossa alegria deve ser profunda e grande se estamos unidos a Deus, mesmo em meio a todos os males. É claro que essa alegria não significa estar sempre sorrindo. Não. Nosso Senhor na cruz não sorria, mas estava profundamente alegre na parte superior de sua alma, pois cumpria a vontade de Deus e, com todos os seus sofrimentos, oferecia um sacrifício perfeito à Santíssima Trindade e realizava a nossa redenção. Um católico deve ser profundamente alegre, sempre, no Senhor.
O Padre Ambrósio de Lombez, em seu livro “Tratado da Alegria da alma cristã”, enumera os principais meios para que sejamos alegres no Senhor. Baseado nele, podemos enumerar alguns desses meios. O primeiro deles é manter-se na justiça, quer dizer, na prática da virtude. A alma cuja consciência está tranquila e bem regrada pode ficar continuamente alegre. O segundo meio que podemos enumerar é ocupar o espírito com aquilo que pode alegrar a nossa alma. Isso não diz respeito ao que agrada à sensualidade, à vaidade, à ambição ou outra coisa desordenada. Não, o que devemos considerar aqui é, por exemplo, o amor de Deus por nós, que se encarnou e veio ao mundo para nos salvar, e nos salvar sofrendo e morrendo por nós sobre a cruz. Em particular, nesse tempo do advento, devemos ocupar muitíssimo nosso espírito com a caridade divina, com o Menino Deus que vem ao mundo para nos salvar. O terceiro meio para ter essa verdadeira alegria é pedir a Deus tal alegria. Tudo o que temos de bom, recebemos de Deus. Portanto, também essa alegria nos vem de Deus e devemos pedi-la, se quisermos possuí-la. O Padre Lombez nos diz também que essa alegria não é dada aos covardes e mornos, tíbios. Portanto, buscar amar a Deus sobre todas as coisas com afinco e servi-lo com prontidão da vontade e generosidade é o quarto meio necessário para alcançar essa alegria. Para alcançar essa alegria, é preciso também uma grande confiança em Deus, sabendo que todas as coisas conspiram para o bem daqueles que amam a Deus, mesmo os sofrimentos e as provações. Outro meio necessário é extinguir em nós o apego desordenado aos bens desse mundo. São esses alguns dos meios que o Padre Ambrósio de Lombez enumera e explica em seu livro e que são indispensáveis para a alegria da alma. Se pudéssemos resumir, podemos dizer que a alegria da alma nada mais é que um fruto da santidade, isto é, fruto da união profunda com Deus, fruto da conformidade plena da nossa vontade com a vontade de Deus.
Essa verdadeira alegria, essa alegria de praticar a virtude, de amar a Deus, de servi-lo com prontidão é um grande tesouro, necessário para perseverarmos até o fim e alcançarmos a alegria plena no céu. Poderíamos, porém, acrescentar, aos meios que o Padre Lombez enumera, a liturgia tradicional. Ela é um tesouro que nos conduz à verdadeira alegria e que deve nos alegrar. Não é por acaso que na Missa tradicional fala-se três vezes do “Deus que alegra a nossa juventude”. A nossa juventude que se alegra em Deus é o homem novo, gerado pela graça, pelo abandono do pecado, pela prática das virtudes. Portanto, a Missa Tradicional está distante de ser uma liturgia triste. Ela é, ao contrário, uma liturgia perfeitamente alegre. Ela é alegre porque nos transmite plenamente a verdade ensinada por Cristo. Ela é alegre porque pelos ritos e solenidade sóbria, nos deixa manifesta a majestade divina e sua onipotência, nos fazendo ter grande confiança nEle. Ela é alegre porque de modo claríssimo renova o sacrifício de Cristo na Cruz, aplicando as graças que Ele mereceu no Calvário, nos fazendo, assim, ver a bondade divina. Ela é alegre porque nos converte inteiramente a Deus, desde a posição do padre no altar, até o modo de os fiéis comungarem, passando pelo latim e pelo silêncio. Ela é alegre porque, por seus ritos abundantes e orações perfeitas, alcança de Deus inúmeras graças que nos dispõem a receber devidamente os frutos da Santa Missa. Ela é alegre porque nos conduz ao desapego dos bens terrenos e ao desapego de nossa vontade própria, ao nos centrar inteiramente em Deus, esquecidos de nós e do mundo. Ela é alegre porque nos ensina a rezar bem, como dissemos quando tratamos do silêncio em outro sermão. E quem reza bem se salva. Ela é alegre porque coloca Deus e nós homens nos nossos devidos lugares. Ele, no centro, com sua soberana majestade, com sua onipotência, com todas as suas perfeições, com sua misericórdia e justiça, com sua bondade infinita. Nós, como pobres pecadores, que devemos adorar a Deus, que devemos agradecer-lhe por todos as graças que recebemos,  que devemos pedir perdão por nossos pecados, que devemos implorar as graças que precisamos para nos salvar. Ela é alegre porque ontem, hoje e sempre, nos conduz à santidade com toda segurança. Que grande meio é a liturgia tradicional para sermos felizes sempre no Senhor.
Com muita frequência, todavia, aqueles que buscam com seriedade amar a Deus sobre todas as coisas, e buscam a salvação da própria alma e a salvação do próximo são tentados por uma má tristeza. A má tristeza pode ser de dois tipos. A primeira delas é uma má tristeza em si mesma, quer dizer, quando nos entristecemos por algo que na verdade é um bem. Um exemplo dessa má tristeza seria entristecer-se por ter de vir à Missa no domingo, ou entristecer-se por não poder dizer uma grosseria. A segunda má tristeza, a que atinge principalmente os bons, é uma tristeza que tem razão de ser, mas que tem consequências ruins. Vemos, constantemente, os bons católicos tristes pelas ofensas que se cometem contra Deus, pelas infidelidades dos homens de todas as posições, pelo estado da Igreja e da sociedade, pelo desprezo com o que há de mais sagrado e pelo desprezo para com a lei natural. De fato, como não se entristecer diante de uma sociedade que sacrifica os filhos, pelo aborto, no altar da comodidade e do prazer e que se alegra em aprovar publicamente pecados que clamam aos céus por vingança, como o homossexualismo? Há motivo para que haja tristeza, não tem dúvidas. Todavia, será uma tristeza ruim, se, como consequência, ela nos leva ao abatimento da alma, se ela nos faz perder a confiança em Deus e nos faz perder o desejo de rezar. Ela será uma tristeza ruim, se ela nos faz buscar divertimentos exteriores ilícitos ou se nos faz buscar, mais do que o devido, divertimentos lícitos. Essa tristeza ruim nos impede muitas vezes de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora, sob pretexto de que a situação da Igreja está muito difícil, ou com a desculpa de que já não se pode fazer nada ou porque, às vezes, aqueles que mais deveriam nos ajudar, infelizmente, atrapalham. Essa má tristeza é, lastimavelmente, bastante comum, mesmo entre bons católicos. Ela é uma praga. Como nos diz a Sagrada Escritura (Eclesiástico 30, 24 e 25): Fixa o teu coração na santidade do mesmo Deus e afasta para longe de ti a tristeza, pois a tristeza matou muitos e nela não tem utilidade. A tristeza, dominando muitas almas, matou-as espiritualmente, paralisando-as, levando-as ao desencorajamento, ao desespero. É preciso afastar com toda força para longe de nós essa tristeza. Diante dos verdadeiros males, devemos reagir com uma tristeza cristã, se assim podemos chamá-la: uma tristeza que nos leva à oração e ao fervor no serviço de Deus, que nos leva a buscar a união profunda com Deus, onde está a nossa verdadeira consolação, que não é uma consolação sensível. Essa boa tristeza não nos impede de fazer o bem que podemos e devemos fazer aqui e agora na nossa escala. Ao contrário, ela nos conduz a praticar esse bem com intensidade. A boa tristeza sabe tirar dos males um bem, sempre. Essa boa tristeza é motivo de alegria no fundo, pois ao nos fazer progredir na união com Deus e na prática da virtude, nos leva à alegria. Ela nos fixa em Deus.
Portanto, caros católicos, alegremo-nos sempre no Senhor. Afastemos para longe de nós a tristeza que nos tira as forças e nos conduz à morte espiritual. Devemos servir a Deus com alegria (Salmo 99, 2) e devemos nos rejubilar no Senhor (Salmo 99, 1), como nos diz a Sagrada Escritura. Deus alegrará a juventude da nossa alma, se aplicarmos os meios de que falamos.. Deus não nos quer sorrindo o tempo todo como diz uma canção que se canta por aí, mas Ele quer que sejamos profundamente alegres, de uma alegria e entusiasmo espirituais. O demônio e o mundo, por sua vez, querem nos fazer acreditar que ser católico é algo triste e melancólico, pois o católico renuncia a vários bens desse mundo. Um católico não aproveita a vida, se diz. Que grande ilusão o demônio e o mundo nos apresentam. É preciso, sobretudo, deixar claro para nossas crianças e jovens que ser católico é uma grande alegria. O católico abandona os bens aparentes desse mundo para possuir o verdadeiro bem, que é a Santíssima Trindade. Um católico aproveita mais do que ninguém a vida e a aproveita muito bem, juntando tesouros eternos. Alegrai-vos sempre no Senhor. Digo de novo, alegrai-vos.

Fonte:http://missatridentinaembrasilia.org/2014/12/18/sermao-meios-para-alegrar-a-alma-2/

14 de dezembro de 2014

Nossa Senhora de Guadalupe: a mensagem contida na imagem (Sermão)

Por Pe. Daniel Pinheiro
Sacerdote do Instituto Bom Pastor

 
O ano é 1531. Os missionários espanhóis encontram bastante dificuldade para evangelizar o povo asteca que habitava a região onde hoje está o México. Podemos atribuir essa dificuldade à influência enorme do demônio nesse povo. Em 1487, por exemplo, em torno de quarenta anos antes da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe, houve a consagração do principal templo pagão. Durante 4 dias, 80 mil pessoas foram sacrificadas, em ritos brutais e macabros. Ao longo de cada ano, com essa religião, 50 mil pessoas eram sacrificadas. Sacrifícios humanos. Era essa a cultura dos indígenas. Dado um culto tão profundamente demoníaco, era difícil converter as almas.
  Para amolecer esses corações tão endurecidos, Nosso Senhor não teve alternativa. Permitiu que sua Mãe, nossa Mãe, Maria, aparecesse. E com essa aparição as almas finalmente se voltaram a Deus. No dia 9 de dezembro, primeiro dia da oitava da festa da Imaculada Conceição, aquele pobre índio, convertido a Jesus Cristo, atravessava a colina de Tepeyac às 5:30 da manhã, para assistir à Santa Missa para receber o catecismo e cuidar dos seus negócios. Era um índio convertido que ia à Missa, às 5:30 da manhã a pé, atravessando uma colina. Nessa colina, tinham existido anteriormente três templos dedicados à deusa Tonantzin, considerada pelos pagãos astecas mãe dos deuses e dos astecas. Os templos tinham sido demolidos por Cortés. Lá apareceu a verdadeira Mãe de Deus, do único Deus Uno e Trino, dizendo a Juan Diego que ela pedia ao Bispo a construção de uma igreja católica naquele lugar. O índio relata ao Bispo todo o ocorrido. O Bispo age com prudência, sem dar muito crédito, inicialmente.
  É somente com a quarta aparição no dia 12 de dezembro que o bispo se convence da veracidade das aparições. Juan Diego chega, nesse dia, ao palácio episcopal. Com ele, estão rosas de Castilha. Não era a época de rosas e não era um local onde podiam ser encontradas rosas, sobretudo essas rosas. Ele desdobra, então, o seu manto e, nesse manto, aparece a imagem de Nossa Senhora, que hoje chamamos de Guadalupe. O Bispo e os seus servidores se ajoelham e veneram a imagem. Não me prolongarei na história, que cada um pode procurar conhecer a partir de fontes confiáveis.
  Gostaria de considerar, porém, a mensagem contida na imagem. A imagem se dirige ao Bispo e aos já católicos, mas ela se dirigia sobretudo aos pagãos astecas. Ela fala, então, a linguagem que eles conheciam muito bem.
  Como já dissemos, Nossa Senhora aparece na colina onde estavam os templos pagãos dedicados à deusa pagã considerada a mãe de todos os deuses e dos astecas. Ao aparecer lá, Nossa Senhora diz que ela é a Mãe de Deus e a Mãe dos astecas e de todos os homens. Ela apareceu em um ano que para os astecas significava a plenitude e o nascimento do sol. Ela vai trazer a plenitude e o sol verdadeiros, Nosso Senhor Jesus Cristo. Atrás da imagem, os raios dourados. Daquela Virgem está saindo o sol, que representa Deus. 
  O manto onde aparece a imagem é grosseiro, de textura imperfeita, impossível de pintar nele. O próprio tecido não costuma durar muito tempo. O que dizer de uma imagem em tal tecido? Mas lá está a imagem até hoje.
  Os cabelos estão soltos, indicando sua condição de donzela virgem. As índias casadas levavam o cabelo amarrado em trança.
  Nos olhos da Imagem da Santíssima Virgem estão refletidos os bispos e os outros presentes no momento em que se desdobrou o manto de Juan Diego. Ninguém, àquela época, e em tal tecido conseguiria fazer isso. Os indígenas da época também não puderam ver isso na imagem. Apenas recentemente e com a tecnologia moderna é que se tornou possível constatar esse fato estupendo. É uma mensagem para a nossa época moderna, tecnológica. Há quase 500 anos, Deus nos falava claramente.
  O broche no pescoço de Maria também é importante. Um colar com um broche no pescoço significa, para os indígenas, submissão e consagração a um Deus. O broche tem uma cruz, espanhola, e mostra a importância de Jesus Cristo sobre Nossa Senhora e mostra a veracidade do Evangelho trazido pelos missionários espanhóis. O único sacrifício agradável a Deus é o de Cristo, na Cruz.
  As mãos de Nossa Senhora, postas em oração, representam também a Igreja que deveria ser construída a mando dela naquela colina. Uma das mãos é mais branca, enquanto a outra mais morena: todos devem se submeter a Maria, para se submeter, assim, a Cristo. O mesmo se pode dizer do rosto da Virgem. Não é europeu nem indígena, mas mestiço.
  O laço escuro acima do ventre deixa claro para os indígenas que se trata de uma mulher grávida. Colocavam o laço acima do ventre para permitir o natural crescimento do ventre durante a gestação. E o laço indica também que se trata de uma mulher nobre. Ela é uma donzela Virgem, com os cabelos soltos, mas grávida, com o laço negro acima do ventre.
  Na altura do ventre de Nossa Senhora, há uma flor – a única na imagem – com quatro pétalas, que é um símbolo fortíssimo para os astecas. Essa flor indica os quatro movimentos do sol. Representa que Maria está grávida do Menino Sol, daquele que é a Luz do Mundo, o Menino Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo.
  Nossa Senhora está sobre o centro da lua que na língua indígena se dizia praticamente México. O pé que aparece indica, para os indígenas, o movimento de oração. Nossa Senhora reza sobre o México, sobre a lua. O pé aparecendo é, na iconografia cristã, símbolo de que Nossa Senhora está grávida.
  O anjo que sustenta o manto da Senhora tem as feições de um índio. É um jovem guerreiro do exército do sol, que agora deverá ser soldado de Cristo. Representa Juan Diego e nele todo o povo. O anjo tem asas de águia, animal que pode fitar o sol diretamente. O nome de Juan Diego na língua indígena fazia referência a uma águia.
  Eis alguns símbolos contidos na imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e que falaram claramente para os índios da época, trazendo-os a Cristo. No momento em que a Igreja perdia a metade de seus filhos na Europa em virtude da heresia e da revolta protestantes, Deus recebia em sua casa novos povos do novo mundo. Agradeçamos a Deus pela sua bondade infinita, pela sua inefável providência. Por nos ter permitido a chegada de colonizadores católicos em nossa pátria e em nosso continente, tirando-nos do tenebroso paganismo. Rezemos a Nossa Senhora de Guadalupe pelo Brasil, pelas Américas. O paganismo brutal que ela veio destruir com sua aparição na colina de Tepeyac está voltando, se é que já não voltou, sob nova forma. Os sacrifícios humanos estão voltando, no aborto, na eutanásia, no assassinato dos inocentes que vemos ocorrer no dia a dia de nossas cidades. Tudo isso fruto de uma sociedade sem s Cristo sem a Igreja.
  Que Nossa Senhora nos traga novamente o Sol, que é Jesus Cristo.

12 de dezembro de 2014

A Imaculada Conceição

Por Pe. Daniel Pinheiro
Sacerdote do Instituto Bom Pastor

“Toda sois formosa, ó Maria, e a mácula original não está em vós.”

Que bela festa nós celebramos nesse dia de hoje, caros católicos, que bela festa de Nossa Senhora. A Imaculada Conceição de Maria Santíssima. No Tempo do advento, no tempo de espera do nascimento do Sol de Justiça, que é Jesus Cristo, nós comemoramos a aurora que surge, Maria Santíssima, concebida no ventre de sua mãe, Sant’Ana. Após o pecado dos nossos primeiros pais, Adão e Eva – o pecado original – todo ser humano está submetido a uma mesma lei: nascer com o pecado original, isto é, afastados de Deus, sem a graça divina, sem a sua amizade. Nossa Senhora, ela, não foi submetida a essa lei. Desde o primeiro momento de sua concepção no ventre de Sant’Ana, Nossa Senhora já estava em amizade com a Santíssima Trindade, já estava na graça divina. Maria foi concebida sem pecado. Podemos comparar Nossa Senhora a Esther. O Rei Assuero havia baixado um decreto pelo qual qualquer pessoa que entrasse nos seus aposentos reais sem ter sido chamado deveria morrer no ato. A rainha Esther entrou sem ser chamada e não morreu. Nossa Senhora entrou no mundo, mas sem o pecado original, como Esther entrou nos aposentos do rei sem ser morta. Nossa Senhora é o véu de Gedeão. Quando tudo em torno estava molhado, o véu permanecia seco. Quando tudo permanecia seco, o véu ficava molhado. Nossa Senhora, ao contrário de todos os filhos de Adão, nasceu sem o pecado original. Claro, com ela, também Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo homem e Deus, não teve o pecado original.
Há 160 anos o Papa Pio IX proclamou infalivelmente essa verdade já universalmente professada pelos católicos. Assim disse o Papa em 1854: “[…] Com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, foi revelada por Deus, e, por isso, deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”
A Santíssima Trindade quis preservar Maria do pecado porque, sendo Mãe de Jesus, ela era Mãe de Deus. Não podia a Mãe de Deus ficar nem sequer um instante sob o domínio do pecado e do demônio. Isso ofenderia a honra de seu Divino Filho. Como sempre dizemos: todas as graças em Maria têm como raiz a sua maternidade divina, têm como raiz o fato de ela ser a Mãe de Deus. Depois de seu próprio nome – Maria – o título que mais agrada a Nossa Senhora é o de Mãe de Deus. Por isso, é a segunda invocação das ladainhas de Nossa Senhora. Por isso, está na segunda parte da Ave Maria. Mãe de Deus, Mãe de Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.
Maria foi concebida, então, sem o pecado original. Todavia, caros católicos, essa concepção sem pecado é tão somente o aspecto negativo do mistério excelso que comemoramos hoje. Devemos considerar brevemente o aspecto positivo. Maria foi concebida sem pecado. Ela foi concebida, então, em graça. Mas que graça! Uma graça santificante maior que a de todos os anjos e santos juntos no céu. Deus faz tudo com ordem, peso, número. Se Deus escolheu Maria para Mãe do Verbo, Ele deve dar a ela as graças para exercer bem a sua função. Ora, a função de Mãe de Deus é tão sublime que a simples preparação para ela exige uma graça maior que a graça de todos os anjos e santos juntos no céu. No primeiro instante de sua concepção, Maria Santíssima possuía uma graça que não podemos medir. A sua amizade e proximidade com Deus eram imensas. Todavia, Nossa Senhora, ao longo de sua vida nessa terra, a cada ato, progredia nas virtudes, na caridade. Cada ato seu era mais perfeito e feito com maior caridade do que o anterior. Nossa Senhora avançava na caridade, no amor a Deus, em movimento acelerado. Mal podemos imaginar a perfeição das virtudes que habitava a sua alma no momento de sua concepção. O que dizer, então, no final de sua vida?
De Maria nunquam satis nos dizem os santos. Sim, de Maria nunca poderemos falar o suficiente. Maria, como nos diz o famoso hino Ave Maris Stella, mudou o nome de Eva, invertendo-o. De Eva, para Ave. Maria muda o nome de Eva porque faz o inverso da mãe natural de todo ser humano. Eva cooperou com o pecado original de Adão. A nova Eva, a Ave Maria, cooperou e coopera com o novo Adão, Jesus Cristo, na redenção. Assim, Eva gerou filhos para povoar a terra. Maria, sendo perpetuamente virgem, gerou filhos espirituais para o céu.
Pela Imaculada Conceição, Maria nos ensina, de um lado, a fugir do pecado e, do outro, a buscar a virtude, o amor a Deus, a prática dos mandamentos. É preciso fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Não podemos buscar a virtude sem combater seriamente o pecado. Não podemos combater o pecado sem buscar seriamente a virtude. Nesse dia, em particular, a Igreja nos incentiva também a considerar a pureza de Maria Santíssima, Mãe Puríssima, Mãe Castíssima. Devemos imitá-la na pureza de nossos pensamentos, de nosso comportamento, de nossas vestimentas, de nossos olhares, de nossas diversões. Os cônjuges devem ter sempre a sua união voltada à procriação. Jamais separar união conjugal da procriação ou a procriação da união conjugal.
Maria é realmente a glória da nova Jerusalém, que é a Igreja. Ela é a alegria do novo Israel, que é a Igreja. Ela é o orgulho do povo cristão. Grande deve ser a nossa alegria, pois Maria é nossa Mãe e nossa Advogada. Ela é a Torre de Davi, pronta para nos defender dos ataques inimigos, se a Ela recorremos. Lembremo-nos, caros católicos, que nunca se ouviu dizer que alguém que tenha recorrido a Nossa Senhora tenha sido desamparado. Confiança em Maria! Ela ouve sempre os filhos que a ela recorrem com bons desejos, com desejos de chegar ao céu.

9 de dezembro de 2014

São João Batista, modelo para o advento. E a virilidade verdadeira e necessária. (Sermão)

“Eis que eu envio meu anjo diante de ti, o qual preparará o teu caminho.”

[...]
  Como já falamos em outra oportunidade, a Igreja nos dá como exemplo no tempo do Advento o profeta Isaías – modelo de oração e súplica -, São João Batista – modelo de penitência – e Nossa Senhora – modelo de humildade.
  Hoje, consideremos um pouco mais e melhor o precursor, São João Batista, a partir das palavras do Salvador no Evangelho. Antes de tudo, porém, devemos deixar claro que São João Batista envia seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele é o Messias não porque ele mesmo duvidasse, mas ele envia seus discípulos demasiadamente apegados à sua pessoa para que pessoalmente comprovem que Jesus Cristo é, de fato, o Messias. Não podia aquele, cuja missão dada por Deus era a de anunciar o Messias desde o ventre da sua mãe, confundir-se e ter dúvidas em momento tão importante. É por caridade para com os seus discípulos que João Batista os manda fazer essa pergunta a Jesus. E Nosso Senhor responde com clareza, mostrando que cumpre todas as profecias relativas ao Messias. O Messias vai fazer os cegos verem, os coxos andarem, os leprosos serem limpos, os surdos ouvirem, os mortos ressuscitarem e os pobres (de espírito) serem evangelizados. Nosso Senhor Jesus Cristo não faz outra coisa, literalmente, mas também espiritualmente. Ele cura a cegueira com a luz da Verdade, que é Ele mesmo. Ele cura os coxos, dando força para as almas poderem andar na vida espiritual com a sua graça. Ele limpa os leprosos perdoando os pecados dos arrependidos. E assim por diante. Nosso Senhor provou por todos os meios que é o Messias, o Salvador prometido. Provou por todos os meios que é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Provou cumprindo as profecias messiânicas anunciadas em todo o Antigo Testamento. Provou pelos milagres que operou. Provou pela celestial doutrina que ensinou e pela vida perfeita que levou nesse mundo.
  Voltemos, porém, à figura do precursor. Nosso Senhor diz que João Batista não é uma cana agitada pelo vento. E, de fato, o precursor não muda segundo as conveniências, mas é estável na fé e no cumprimento da sua missão. A cana agitada pelo vento vai de um lado para o outro, conforme a direção do vento. Ela se contorce e se submete ao vento. São João Batista, ao contrário, permanece fiel. Por vaidade, ele poderia ter dito que era o Messias quando os chefes dos fariseus e os chefes dos sacerdotes perguntam para ele se ele era o Messias. Ele poderia ter cedido ao pensamento e à insistência de alguns de seus discípulos que tinham inveja do Evangelho de Jesus Cristo. Ele poderia ter mudado suas palavras e sua doutrina diante da prisão e de sua condenação à morte por Herodes. São João Batista resistiu ao orgulho, à vaidade, ao respeito humano e ao medo da morte. Continuou inteiramente fiel. Não como uma cana agitada pelo vento, inconstante, mas firme como um cedro do Líbano. Assim devemos ser, caros católicos, se quisermos que nasça e que permaneça em nossa alma Jesus Cristo. Devemos permanecer firmes na fé católica, que recebemos de Cristo e que nos é transmitida pela Igreja sem alterações. Não devemos ceder às pressões do mundo, aos ventos do mundo, que sopram violentamente tentando quebrar a nossa alma, levando-a ao pecado, como quebra as árvores. Não devemos ser levados na mesma direção que o mundo, mas devemos levar o mundo para a Santíssima Trindade, para a Igreja. Não devemos ceder aos diversos lobbies da cultura de morte contra a família, em favor do aborto, das uniões homossexuais. São João batista foi decapitado por ter defendido a indissolubilidade do casamento, denunciando o adultério de Herodes. Não devemos ceder um só jota na doutrina católica e na sua moral. Na época de Nosso Senhor, ninguém se interessava em ir ver no deserto uma cana agitada pelo vento. Hoje, ninguém vai se interessar por Nosso Senhor Jesus Cristo, se os membros da Igreja são como uma cana agitada pelos ventos da mentalidade moderna. Se os pastores da Igreja seguem o mundo, ninguém se interessará por ela, pois ninguém procurará uma cana agitada pelo vento. Se, ao contrário, os pastores da Igreja permanecem firmes, as pessoas buscarão a Igreja e voltarão a ela como o filho pródigo. Também na nossa vida cotidiana devemos ser estáveis, firmes, para não cedermos aos ventos do mundo, da vaidade, do respeito humano, do medo. São João Batista não é uma cana agitada pelo vento.
  São João Batista é um homem vestido de roupas delicadas? Tampouco, diz Nosso Senhor. Essa imagem das roupas delicadas significa as três concupiscências: da carne, dos olhos e da soberba. São João Batista não se entregava à intemperança (concupiscência da carne), à cobiça (concupiscência dos olhos) ou ao orgulho (concupiscência da soberba). Era um homem mortificado, penitente. Desapegado das coisas desse mundo, preocupava-se unicamente em anunciar o Messias, em preparar os caminhos para a vinda dEle e para a vida pública de Cristo. Utilizava as coisas desse mundo somente em vista de Cristo. São João Batista, humilde, sabia exatamente o seu lugar, a sua Missão: não é ele o Messias, não é ele o esposo. Ele é o precursor e o amigo do esposo. Ele sabe que deve diminuir para que Jesus Cristo possa crescer. São João Batista não usava roupas delicadas. Isso serve também de lição para os homens, pessoas do sexo masculino, de nosso tempo. Muito se fala, com razão, do feminismo, que destrói a feminilidade e a verdadeira dignidade da mulher, que é de ser mãe, de educar os filhos. Fala-se menos do fato de que também a masculinidade é bem atacada. A mulher se masculiniza e o homem se feminiliza. Já não ocupa o lugar que lhe é devido no seio da família, de chefe de família, que deve governar para o bem da esposa e dos filhos. O homem se tornou, hoje, efeminado, tendo cada vez menos domínio sobre suas paixões. Vemos bem concretamente e na prática a perda da virilidade em muitos dos rapazes de nossos dias: dominados pelos sentimentos, preocupados em demasia com as roupas, preocupados em se ornar, preocupados em excesso com a aparência, escravos de filmes, músicas e livros que tiram a força da alma, fala delicada, afetação nos gestos, nos comportamentos. E isso muitas vezes dentro da Igreja, pois se confunde religião com sentimentalismo. A religião e a devoção não são um sentimentalismo, não é algo açucarado. Como nos diz o Salmo XXX, 25:Viriliter age. Age virilmente. É preciso retomar também a virilidade dos homens na sociedade, além da feminilidade das mulheres. Virilidade que não se confunde com rudeza nem grosseria e ainda menos com a satisfação de más inclinações. A verdadeira virilidade existe quando o homem domina as suas paixões, guia-se pela razão iluminada pela fé, trata as pessoas com justiça e com urbanidade, veste-se em conformidade com seu estado, sem exageros. Ela existe quando o homem exerce o seu papel na sociedade e na família, em vista do bem de sua esposa – que é sua companheira de vida – e de seus filhos. Como São João Batista, o homem não deve se vestir com roupas delicadas, que significam a falta da virtuosa virilidade.
  Nosso Senhor diz também que São João Batista é mais que um profeta. Ele é um anjo que prepara o caminho para o Messias. De fato, São João Batista não é um simples profeta, mas aquele que prepara imediatamente a pregação do Evangelho. Sendo assim, deve ser mais semelhante a um anjo que a um profeta. Um anjo pela fé profunda que lhe invade a inteligência, dando-lhe um conhecimento de Cristo semelhante ao conhecimento que os anjos têm dEle no céu. Um anjo pela firmeza com que combate o demônio e a mentira, em particular na defesa que faz da santidade do matrimônio. Um anjo pela sua pureza, adquirida e conservada com orações, com mortificações, com a fuga das ocasiões de pecado. Um anjo pelo desapego dos bens desse mundo, usando-os sempre para melhor servir a Deus. Um anjo pelo desprezo de uma vida mundana.
  Eis, então, São João Batista, que deve nos servir de exemplo e a quem devemos recorrer para nos prepararmos bem para um Santo Natal. Procurem fazer uma boa confissão em preparação para o Natal.


  Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

5 de dezembro de 2014

O ano litúrgico e a sociedade

Sermão para o 1º Domingo do Advento
30.11.2014 – Padre Daniel Pinheiro
 Avisos
1º Domingo do advento. Penitência em preparação para o Natal. Sem órgão, sem flores, sem Glória. Paramentos roxos. Mas aos domingos ainda subsiste o aleluia.
Hora de montar em casa o presépio, a árvore de Natal, explicando paras as crianças a história do nascimento de Jesus e os símbolos do Natal. Preparar a coroa do advento.
Sermão
 “A vós, Senhor, elevei a minha alma. Meu Deus, em vós confio. Não me envergonharei nem zombarão de mim os inimigos. Todos os que esperam em vós não serão confundidos.”
Começamos hoje, caros católicos, com o 1º Domingo do Advento, mais um ano litúrgico. Pouco a pouco os senhores vão se acostumando com o ano litúrgico tradicional. Tempo do Advento, em roxo, preparando-nos para o Natal. Tempo do Natal, que engloba também o tempo da Epifania, em branco. Em seguida, o Tempo depois da Epifania, com os domingos em verde. Tempo da Septuagésima, com três domingos em roxo e que nos predispõem pouco a pouco para as austeridades da Quaresma. Quaresma que, por sua vez, nos prepara para a Páscoa. Aos quatro domingos da Quaresma somam-se os dois domingos do Tempo da Paixão. Vem, depois, a Páscoa e o Tempo Pascal, que engloba o Tempo da Ascensão e o Tempo de Pentecostes. Em seguida, vem o Tempo depois de Pentecostes, com suas grandes festas: Santíssima Trindade, Corpus Christi, Sagrado Coração, Assunção de Nossa Senhora, Cristo Rei, Todos os Santos, para citar algumas delas.
O ano litúrgico com seus tempos próprios, com suas graças próprias, não devem ser para nós algo distante e sem muito sentido. Ao contrário, o ano litúrgico, com seus tempos e suas festas devem ditar o ritmo da nossa vida. Uma sociedade cristã se deixa influenciar profundamente pelo calendário da Santa Igreja. Um exemplo concretíssimo desse fato é o nome dado aos dias da semana em nossa língua portuguesa. Na maioria das línguas, esses dias recebem nomes que se referem a astros celestes, a deuses pagãos: lua, marte, mercúrio, etc. Na nossa língua, eles tiram seu nome da liturgia da Igreja Católica. Na Igreja, esses dias da semana chamam-se feria secunda, feria tertia, feria quarta, feria quinta, feria sexta, que vão originar, então, segunda-feira, terça-feira, etc. Uma sociedade genuinamente cristã se deixa guiar pelo ano litúrgico da Igreja. Tanto é assim que a Revolução e suas derivações quiseram instituir um novo calendário, inclusive mudando o tamanho das semanas, para que deixasse de haver o domingo a cada sete dias. A mudança no calendário era um modo de descristianizar rapidamente a sociedade. Mas a vida social estava tão profundamente enraizada na alma e no quotidiano do povo que logo tiveram que abandonar a ideia. Está claro que uma mudança considerável do calendário litúrgico, como a que ocorreu nos últimos quarenta anos, favorece também a laicização da sociedade. Perde-se a referência de festas que já existiam, muitas vezes, há séculos e séculos. Com frequência, as pessoas não se referiam aos dias pelo número do dia e pelo nome do mês, mas pela festa de tal ou tal santo ou pela comemoração de tal ou tal Mistério da vida de Cristo ou de Nossa Senhora. Tudo isso desapareceu, praticamente, caros católicos. Ainda restam algumas referências litúrgicas na medição do nosso tempo, mas já completamente descaracterizadas. As festas juninas, por exemplo, já não são mais em honra de São João, mas simplesmente uma celebração laica de sabe-se lá o quê, ou quando se fala de São João é para ofendê-lo com as festas mundanas.
É necessário retomar a importância do ano litúrgico, com seus diversos tempos e suas festas, em nossas vidas, caros católicos. O ciclo litúrgico anual é pasto abundante para alimentar a nossa alma. No ciclo anual litúrgico (1) está apresentada de maneira concreta a história da salvação, (2) nos são ensinadas as verdades de nossa fé, e (3) se rende o culto perfeito à Santíssima Trindade.
(1) O ano litúrgico nos apresenta, então, de maneira concreta a história de nossa salvação. De modo bem resumido: no Advento, se revive o Antigo Testamento à espera do Salvador. No Natal se revive todo o mistério da Encarnação. Na Quaresma, a preparação de Nosso Senhor para a sua vida pública. Na Páscoa e na Ascensão, o triunfo de Jesus Cristo. Em Pentecostes a vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos. No tempo depois de Pentecostes, vemos os frutos da Santa Igreja e a vida pública de Nosso Senhor. Durante todo o ano comemoramos os Santos, de todos os tipos, e comemoramos outros tantos mistérios. Cada tempo litúrgico, cada mistério com sua graça própria, para nos unir e nos assemelhar mais a Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa repetição anual da história da salvação e dos mistérios vai imprimindo na nossa alma as lições próprias de cada festa, de cada mistério. Devemos nos deixar imbuir por essas graças.
(2) O tempo litúrgico nos ensina as verdades de fé. A repetição anual das festas, com seus textos próprios, com sua especificidade própria, é uma lição perene e constante das verdades da fé. Por exemplo, o Advento nos ensina a necessidade que tínhamos de um Salvador. A Encarnação nos ensina a delicadeza da bondade de Deus para conosco e a humanidade de Nosso Senhor. A Epifania já nos faz entrever o caráter universal da Missão de Nosso Senhor: ele veio para os judeus e para os gentios. A Quaresma nos ensina a necessidade da penitência e da oração para vencermos o pecado. A Ressurreição nos ensina que Jesus Cristo triunfou sobre a morte e o pecado pela sua dolorosa paixão e morte de Cruz. E assim por diante. Uma bela liturgia, ordenada, digna, que nos faz reviver a história da salvação e que nos ensina plenamente a fé em todos os seus aspectos é o meio mais eficaz para dirigir a alma de um povo a Deus. Essa repetição anual, cíclica e clara das verdades da fé penetra progundamente no espírito do povo.

No ano litúrgico, revivemos a história da salvação e confessamos a nossa fé. Mas, além disso, cultuamos também a Deus por meio da belíssima liturgia católica, reconhecendo que Deus é o centro de tudo, que Ele tem o soberano domínio de todas as coisas. A liturgia católica, que se desenrola ao longo de todo o ano litúrgico, é o nosso maior tesouro, caros católicos. É por meio dela que se formam as famílias católicas sólidas. É por meio dela que se forjam as almas sacerdotais e religiosas. É por meio dela que se forja uma sociedade cristã.  Que importância tem a Sagrada Liturgia! Não se voltarão em grande quantidade as almas a Deus se não houver uma restauração litúrgica. A liturgia precisa voltar a se centrar em Deus. A liturgia precisa voltar a expressar claramente as verdades católicas. É exatamente isso o que faz a liturgia tradicional, também chamada de tridentina. Essa velha liturgia, sempre nova, centrada em Deus. Essa velha liturgia que alegra a alma da juventude católica (juventude espiritual, do novo homm constituído pela graça divina). Essa velha liturgia, sempre jovem porque reflete a eternidade da Santíssima Trindade. Deixemo-nos, caros católicos, impregnar pela liturgia católica. Nesse tempo do advento, preparemos a nossa alma, endireitemos os nossos caminhos, para que o Menino Jesus possa vir em nossa alma e enchê-la de graças. Procuremos fazer uma boa penitência durante o advento, esse tempo de penitência alegre, como se costuma dizer. Busquemos a confissão.

Fonte:http://missatridentinaembrasilia.org/2014/12/04/sermao-o-ano-liturgico-e-a-sociedade/

4 de dezembro de 2014

Parceria com o site Missa Tridentina em Brasília

A partir deste domingo (07) iremos passar a postar os Sermões do Reverendo Padre Daniel Pinheiro, sacerdote do Instituto Bom Pastor. Agradecemos à moderação do site Missa tridentina em Brasília (missatridentinaembrasilia.org) pela permissão .


Os demais sermões anteriores aos postados a partir de 7 de Dezembro podem ser encontrados no site no seguinte link: http://missatridentinaembrasilia.org/4519-2/.