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12 de dezembro de 2014

Vamos falar de liturgia. O que fazer durante a consagração? O que rezar?

  Por Dom Paulo F. Machado
Bispo diocesano de Uberlândia-MG

 
Não sou dono da Liturgia. Essa é um dom preciosíssimo que o Espírito Santo dá à Igreja de Cristo. Dou algumas orientações.
  Não convém introduzir atos devocionais pessoais, mesmo relacionados à Eucaristia, mas ouve-se atentamente, com o coração, o memorial, a recordação de todos os benefícios divinos narrados na oração eucarística. É a História da Salvação narrada, para ser ouvida com atenção. Este não é o momento de se introduzir devoções pessoais, é Cristo e sua esposa, a Igreja, que em grande e misteriosa união, se dirigem ao Pai de infinita bondade. No instante da apresentação do Corpo do Senhor e do Cálice com o seu preciosíssimo Sangue o que fazer; o que rezar?
  Será importante participar, olhando tudo o que se passa no altar. É o mistério pascal que estamos celebrando na força da fé, pela atuação do Espírito Santo. Somos chamados a fazer a experiência fundante de nossa vida cristã, levados, misteriosamente, aos pés da Cruz de nosso Redentor. Contemplamos o Transpassado, o sepulcro vazio, e jubilosos O encontramos ao Partir do Pão. O Amor do Pai, na força do Espírito, vence a morte.
  Celebramos o mistério Pascal para, imbuídos de sua força, reproduzirmos em nossa vida, a vida do Senhor, viver fraternamente e aprender que missa é Missão.
  Convém recordar o que foi escrito no Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB: “Ao menos nos domingos e nos dias festivos, cante-se em tom de exaltação a aclamação memorial. Esta aclamação nunca pode ser instituída ou seguida de cantos e expressões devocionais (‘Bendito, louvado seja’; ‘Deus está aqui’; ‘Eu te adoro hóstia divina’; ‘meu Senhor e meu Deus’ etc.)”.
  Penso ser oportuno, o que Jesús Castellano afirma na sua obra “Liturgia e Vida Espiritual”: “Contemplar a Eucaristia não é fixar o olhar no pão e no cálice, mas também se deixar maravilhar pela fragilidade dos sinais e pela plenitude da realidade salvífica que contém, ouvindo, concentrados na Eucaristia, todas as palavras da revelação que dão sentido a esse mistério pascal do corpo e sangue gloriosos do Senhor, no qual toda a história da salvação se concentra e se oferece, em Cristo crucificado e ressuscitado, que nele próprio torna-se presente ”.

  Cale-se a boca diante do augusto mistério, incline-se o coração ao Senhor que nos é apresentado, nas frágeis aparências de pão e vinho. 

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