“Eis que eu envio meu anjo diante de ti, o qual preparará o teu caminho.”
[...]
Como já falamos em outra oportunidade, a
Igreja nos dá como exemplo no tempo do Advento o profeta Isaías – modelo de
oração e súplica -, São João Batista – modelo de penitência – e Nossa Senhora –
modelo de humildade.
Hoje, consideremos um
pouco mais e melhor o precursor, São João Batista, a partir das palavras do
Salvador no Evangelho. Antes de tudo, porém, devemos deixar claro que São João
Batista envia seus discípulos para perguntar a Jesus se Ele é o Messias não
porque ele mesmo duvidasse, mas ele envia seus discípulos demasiadamente apegados
à sua pessoa para que pessoalmente comprovem que Jesus Cristo é, de fato, o
Messias. Não podia aquele, cuja missão dada por Deus era a de anunciar o
Messias desde o ventre da sua mãe, confundir-se e ter dúvidas em momento tão
importante. É por caridade para com os seus discípulos que João Batista os
manda fazer essa pergunta a Jesus. E Nosso Senhor responde com clareza,
mostrando que cumpre todas as profecias relativas ao Messias. O Messias vai
fazer os cegos verem, os coxos andarem, os leprosos serem limpos, os surdos
ouvirem, os mortos ressuscitarem e os pobres (de espírito) serem evangelizados.
Nosso Senhor Jesus Cristo não faz outra coisa, literalmente, mas também
espiritualmente. Ele cura a cegueira com a luz da Verdade, que é Ele mesmo. Ele
cura os coxos, dando força para as almas poderem andar na vida espiritual com a
sua graça. Ele limpa os leprosos perdoando os pecados dos arrependidos. E assim
por diante. Nosso Senhor provou por todos os meios que é o Messias, o Salvador
prometido. Provou por todos os meios que é verdadeiramente homem e
verdadeiramente Deus. Provou cumprindo as profecias messiânicas anunciadas em
todo o Antigo Testamento. Provou pelos milagres que operou. Provou pela
celestial doutrina que ensinou e pela vida perfeita que levou nesse mundo.
Voltemos, porém, à figura
do precursor. Nosso Senhor diz que João Batista não é uma cana agitada pelo
vento. E, de fato, o precursor não muda segundo as conveniências, mas é estável
na fé e no cumprimento da sua missão. A cana agitada pelo vento vai de um lado
para o outro, conforme a direção do vento. Ela se contorce e se submete ao
vento. São João Batista, ao contrário, permanece fiel. Por vaidade, ele poderia
ter dito que era o Messias quando os chefes dos fariseus e os chefes dos
sacerdotes perguntam para ele se ele era o Messias. Ele poderia ter cedido ao
pensamento e à insistência de alguns de seus discípulos que tinham inveja do
Evangelho de Jesus Cristo. Ele poderia ter mudado suas palavras e sua doutrina
diante da prisão e de sua condenação à morte por Herodes. São João Batista
resistiu ao orgulho, à vaidade, ao respeito humano e ao medo da morte.
Continuou inteiramente fiel. Não como uma cana agitada pelo vento, inconstante,
mas firme como um cedro do Líbano. Assim devemos ser, caros católicos, se
quisermos que nasça e que permaneça em nossa alma Jesus Cristo. Devemos
permanecer firmes na fé católica, que recebemos de Cristo e que nos é
transmitida pela Igreja sem alterações. Não devemos ceder às pressões do mundo,
aos ventos do mundo, que sopram violentamente tentando quebrar a nossa alma,
levando-a ao pecado, como quebra as árvores. Não devemos ser levados na mesma
direção que o mundo, mas devemos levar o mundo para a Santíssima Trindade, para
a Igreja. Não devemos ceder aos diversos lobbies da
cultura de morte contra a família, em favor do aborto, das uniões homossexuais.
São João batista foi decapitado por ter defendido a indissolubilidade do
casamento, denunciando o adultério de Herodes. Não devemos ceder um só jota na
doutrina católica e na sua moral. Na época de Nosso Senhor, ninguém se
interessava em ir ver no deserto uma cana agitada pelo vento. Hoje, ninguém vai
se interessar por Nosso Senhor Jesus Cristo, se os membros da Igreja são como
uma cana agitada pelos ventos da mentalidade moderna. Se os pastores da Igreja
seguem o mundo, ninguém se interessará por ela, pois ninguém procurará uma cana
agitada pelo vento. Se, ao contrário, os pastores da Igreja permanecem firmes,
as pessoas buscarão a Igreja e voltarão a ela como o filho pródigo. Também na
nossa vida cotidiana devemos ser estáveis, firmes, para não cedermos aos ventos
do mundo, da vaidade, do respeito humano, do medo. São João Batista não é uma
cana agitada pelo vento.
São João Batista é um
homem vestido de roupas delicadas? Tampouco, diz Nosso Senhor. Essa imagem das
roupas delicadas significa as três concupiscências: da carne, dos olhos e da
soberba. São João Batista não se entregava à intemperança (concupiscência da
carne), à cobiça (concupiscência dos olhos) ou ao orgulho (concupiscência da
soberba). Era um homem mortificado, penitente. Desapegado das coisas desse
mundo, preocupava-se unicamente em anunciar o Messias, em preparar os caminhos
para a vinda dEle e para a vida pública de Cristo. Utilizava as coisas desse
mundo somente em vista de Cristo. São João Batista, humilde, sabia exatamente o
seu lugar, a sua Missão: não é ele o Messias, não é ele o esposo. Ele é o
precursor e o amigo do esposo. Ele sabe que deve diminuir para que Jesus Cristo
possa crescer. São João Batista não usava roupas delicadas. Isso serve também
de lição para os homens, pessoas do sexo masculino, de nosso tempo. Muito se
fala, com razão, do feminismo, que destrói a feminilidade e a verdadeira
dignidade da mulher, que é de ser mãe, de educar os filhos. Fala-se menos do
fato de que também a masculinidade é bem atacada. A mulher se masculiniza e o
homem se feminiliza. Já não ocupa o lugar que lhe é devido no seio da família,
de chefe de família, que deve governar para o bem da esposa e dos filhos. O homem
se tornou, hoje, efeminado, tendo cada vez menos domínio sobre suas paixões.
Vemos bem concretamente e na prática a perda da virilidade em muitos dos
rapazes de nossos dias: dominados pelos sentimentos, preocupados em demasia com
as roupas, preocupados em se ornar, preocupados em excesso com a aparência,
escravos de filmes, músicas e livros que tiram a força da alma, fala delicada,
afetação nos gestos, nos comportamentos. E isso muitas vezes dentro da Igreja,
pois se confunde religião com sentimentalismo. A religião e a devoção não são
um sentimentalismo, não é algo açucarado. Como nos diz o Salmo XXX, 25:Viriliter
age. Age virilmente. É preciso retomar também a virilidade dos
homens na sociedade, além da feminilidade das mulheres. Virilidade que não se confunde
com rudeza nem grosseria e ainda menos com a satisfação de más inclinações. A
verdadeira virilidade existe quando o homem domina as suas paixões, guia-se
pela razão iluminada pela fé, trata as pessoas com justiça e com urbanidade,
veste-se em conformidade com seu estado, sem exageros. Ela existe quando o
homem exerce o seu papel na sociedade e na família, em vista do bem de sua
esposa – que é sua companheira de vida – e de seus filhos. Como São João
Batista, o homem não deve se vestir com roupas delicadas, que significam a
falta da virtuosa virilidade.
Nosso Senhor diz também
que São João Batista é mais que um profeta. Ele é um anjo que prepara o caminho
para o Messias. De fato, São João Batista não é um simples profeta, mas aquele
que prepara imediatamente a pregação do Evangelho. Sendo assim, deve ser mais
semelhante a um anjo que a um profeta. Um anjo pela fé profunda que lhe invade
a inteligência, dando-lhe um conhecimento de Cristo semelhante ao conhecimento
que os anjos têm dEle no céu. Um anjo pela firmeza com que combate o demônio e
a mentira, em particular na defesa que faz da santidade do matrimônio. Um anjo
pela sua pureza, adquirida e conservada com orações, com mortificações, com a
fuga das ocasiões de pecado. Um anjo pelo desapego dos bens desse mundo,
usando-os sempre para melhor servir a Deus. Um anjo pelo desprezo de uma vida
mundana.
Eis, então, São João
Batista, que deve nos servir de exemplo e a quem devemos recorrer para nos
prepararmos bem para um Santo Natal. Procurem fazer uma boa confissão em
preparação para o Natal.
Em nome do Pai, e do
Filho, e do Espírito Santo. Amém.
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