30.11.2014 – Padre Daniel Pinheiro
Avisos
1º
Domingo do advento. Penitência em preparação para o Natal. Sem órgão, sem
flores, sem Glória. Paramentos roxos. Mas aos domingos ainda subsiste o
aleluia.
Hora
de montar em casa o presépio, a árvore de Natal, explicando paras as crianças a
história do nascimento de Jesus e os símbolos do Natal. Preparar a coroa do
advento.
Sermão
“A
vós, Senhor, elevei a minha alma. Meu Deus, em vós confio. Não me envergonharei
nem zombarão de mim os inimigos. Todos os que esperam em vós não serão
confundidos.”
Começamos
hoje, caros católicos, com o 1º Domingo do Advento, mais um ano litúrgico.
Pouco a pouco os senhores vão se acostumando com o ano litúrgico tradicional.
Tempo do Advento, em roxo, preparando-nos para o Natal. Tempo do Natal, que
engloba também o tempo da Epifania, em branco. Em seguida, o Tempo depois da
Epifania, com os domingos em verde. Tempo da Septuagésima, com três domingos em
roxo e que nos predispõem pouco a pouco para as austeridades da Quaresma.
Quaresma que, por sua vez, nos prepara para a Páscoa. Aos quatro domingos da
Quaresma somam-se os dois domingos do Tempo da Paixão. Vem, depois, a Páscoa e
o Tempo Pascal, que engloba o Tempo da Ascensão e o Tempo de Pentecostes. Em
seguida, vem o Tempo depois de Pentecostes, com suas grandes festas: Santíssima
Trindade, Corpus Christi, Sagrado Coração, Assunção de Nossa Senhora, Cristo
Rei, Todos os Santos, para citar algumas delas.
O ano litúrgico com seus tempos próprios, com suas graças próprias, não
devem ser para nós algo distante e sem muito sentido. Ao contrário, o ano
litúrgico, com seus tempos e suas festas devem ditar o ritmo da nossa vida. Uma
sociedade cristã se deixa influenciar profundamente pelo calendário da Santa
Igreja. Um exemplo concretíssimo desse fato é o nome dado aos dias da semana em
nossa língua portuguesa. Na maioria das línguas, esses dias recebem nomes que
se referem a astros celestes, a deuses pagãos: lua, marte, mercúrio, etc. Na
nossa língua, eles tiram seu nome da liturgia da Igreja Católica. Na Igreja,
esses dias da semana chamam-se feria secunda, feria tertia,
feria quarta, feria quinta, feria sexta, que vão originar, então,
segunda-feira, terça-feira, etc. Uma sociedade genuinamente cristã se deixa
guiar pelo ano litúrgico da Igreja. Tanto é assim que a Revolução e suas
derivações quiseram instituir um novo calendário, inclusive mudando o tamanho das
semanas, para que deixasse de haver o domingo a cada sete dias. A mudança no
calendário era um modo de descristianizar rapidamente a sociedade. Mas a vida
social estava tão profundamente enraizada na alma e no quotidiano do povo que
logo tiveram que abandonar a ideia. Está claro que uma mudança considerável do
calendário litúrgico, como a que ocorreu nos últimos quarenta anos, favorece
também a laicização da sociedade. Perde-se a referência de festas que já
existiam, muitas vezes, há séculos e séculos. Com frequência, as pessoas não se
referiam aos dias pelo número do dia e pelo nome do mês, mas pela festa de tal
ou tal santo ou pela comemoração de tal ou tal Mistério da vida de Cristo ou de
Nossa Senhora. Tudo isso desapareceu, praticamente, caros católicos. Ainda
restam algumas referências litúrgicas na medição do nosso tempo, mas já
completamente descaracterizadas. As festas juninas, por exemplo, já não são
mais em honra de São João, mas simplesmente uma celebração laica de sabe-se lá
o quê, ou quando se fala de São João é para ofendê-lo com as festas mundanas.
É
necessário retomar a importância do ano litúrgico, com seus diversos tempos e
suas festas, em nossas vidas, caros católicos. O ciclo litúrgico anual é pasto
abundante para alimentar a nossa alma. No ciclo anual litúrgico (1) está
apresentada de maneira concreta a história da salvação, (2) nos são ensinadas
as verdades de nossa fé, e (3) se rende o culto perfeito à Santíssima Trindade.
(1) O
ano litúrgico nos apresenta, então, de maneira concreta a história de nossa
salvação. De modo bem resumido: no Advento, se revive o Antigo Testamento à
espera do Salvador. No Natal se revive todo o mistério da Encarnação. Na
Quaresma, a preparação de Nosso Senhor para a sua vida pública. Na Páscoa e na
Ascensão, o triunfo de Jesus Cristo. Em Pentecostes a vinda do Espírito Santo
sobre Maria e os Apóstolos. No tempo depois de Pentecostes, vemos os frutos da
Santa Igreja e a vida pública de Nosso Senhor. Durante todo o ano comemoramos
os Santos, de todos os tipos, e comemoramos outros tantos mistérios. Cada tempo
litúrgico, cada mistério com sua graça própria, para nos unir e nos assemelhar
mais a Nosso Senhor Jesus Cristo. Essa repetição anual da história da salvação
e dos mistérios vai imprimindo na nossa alma as lições próprias de cada festa,
de cada mistério. Devemos nos deixar imbuir por essas graças.
(2) O
tempo litúrgico nos ensina as verdades de fé. A repetição anual das festas, com
seus textos próprios, com sua especificidade própria, é uma lição perene e
constante das verdades da fé. Por exemplo, o Advento nos ensina a necessidade
que tínhamos de um Salvador. A Encarnação nos ensina a delicadeza da bondade de
Deus para conosco e a humanidade de Nosso Senhor. A Epifania já nos faz
entrever o caráter universal da Missão de Nosso Senhor: ele veio para os judeus
e para os gentios. A Quaresma nos ensina a necessidade da penitência e da
oração para vencermos o pecado. A Ressurreição nos ensina que Jesus Cristo
triunfou sobre a morte e o pecado pela sua dolorosa paixão e morte de Cruz. E
assim por diante. Uma bela liturgia, ordenada, digna, que nos faz reviver a
história da salvação e que nos ensina plenamente a fé em todos os seus aspectos
é o meio mais eficaz para dirigir a alma de um povo a Deus. Essa repetição
anual, cíclica e clara das verdades da fé penetra progundamente no espírito do
povo.
No ano
litúrgico, revivemos a história da salvação e confessamos a nossa fé. Mas, além
disso, cultuamos também a Deus por meio da belíssima liturgia católica,
reconhecendo que Deus é o centro de tudo, que Ele tem o soberano domínio de
todas as coisas. A liturgia católica, que se desenrola ao longo de todo o ano
litúrgico, é o nosso maior tesouro, caros católicos. É por meio dela que se
formam as famílias católicas sólidas. É por meio dela que se forjam as almas
sacerdotais e religiosas. É por meio dela que se forja uma sociedade cristã.
Que importância tem a Sagrada Liturgia! Não se voltarão em grande
quantidade as almas a Deus se não houver uma restauração litúrgica. A liturgia
precisa voltar a se centrar em Deus. A liturgia precisa voltar a expressar
claramente as verdades católicas. É exatamente isso o que faz a liturgia
tradicional, também chamada de tridentina. Essa velha liturgia, sempre nova,
centrada em Deus. Essa velha liturgia que alegra a alma da juventude católica
(juventude espiritual, do novo homm constituído pela graça divina). Essa velha
liturgia, sempre jovem porque reflete a eternidade da Santíssima Trindade.
Deixemo-nos, caros católicos, impregnar pela liturgia católica. Nesse tempo do
advento, preparemos a nossa alma, endireitemos os nossos caminhos, para que o
Menino Jesus possa vir em nossa alma e enchê-la de graças. Procuremos fazer uma
boa penitência durante o advento, esse tempo de penitência alegre, como se
costuma dizer. Busquemos a confissão.

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