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17 de fevereiro de 2015

A Quaresma















Por Bruno Eduardo Vieira Santos  

  Sabemos que Jesus passou  40 dias no deserto (cf. Mc 1, 12-13)fazendo jejum e oração antes de iniciar sua missão salvífica. E é assim a quaresma, um tempo em que nos recolhemos em nós mesmos num deserto espiritual para reconhecermos as nossas feridas de pecado e pedir perdão para que possamos mudar os rumos de nossa vida.
  Como já disse, Jesus passou esse tempo no deserto em preparação à missão. E nós nos preparamos para a Páscoa, quando, Cristo ressuscitará dos mortos. Uma preparação espiritual para que, quando Cristo ressurgir, estejamos puros e dignos Dele. Não nos preparamos, entretanto, somente para o dia da Páscoa celebrada aqui na terra, mas para a grande celebração celeste, o banquete do Cordeiro, as bodas celestiais. Preparando-nos pela quaresma estaremos cada vez mais preparados espiritualmente para a vida eterna.
  A quaresma é ainda um tempo proposto como forma de enfraquecer o nosso ser corrompido e fazer brilhar a luz que habita dentro de nós: o Espírito Santo. Uma maneira de transformar o estilo pecaminoso em uma vida mais pura, mais digna de participar da glória do Redentor.
  Nesse tempo a liturgia nos traz textos em que Cristo preparava-se para a consumação, quando extirparia o pecado da humanidade e lhe daria uma vida nova. Obviamente, nem todos seguiram Jesus e assim, mesmo com o pecado apagado, ajuntaram mais e mais faltas à sua alma, por isso muitos foram condenados ao inferno, pois não escutaram a voz do Mestre. Queremos ser como estes? Claro que não. Então preparemo-nos para a morte, quando seremos julgados pelo que fizemos, e utilizemos esse tempo tão propício para nos convertemos.
  Ainda no tema liturgia, convido-lhe para assistir todas as missas possíveis para que acompanhe mais de perto toda a situação e os acontecimentos da vida de Jesus no tempo próximo à sua morte.
  Na quaresma temos alguns atos que distinguem-na dos outros tempos.

  O primeiro é a PENITÊNCIA. Através dela contrariamos a carne para que possa se enfraquecer algum “eu” corrompido, como por exemplo, o “eu guloso”, o “eu preguiçoso”, etc. Atinge-se algo que causa bem ao corpo ou aos nossos gostos, muitas vezes causando até certo “sofrimento”, e este, quando oferecido a Deus, serve-nos de oração e também para nos desprender de alguns atos ou sentimentos. Enfim, a penitência é uma forma de nos tirar do comodismo e nos levar a uma vida mais fervorosa e desapegada das coisas do mundo. Entretanto, cabe aqui lembrar que penitências que agradem somente a si mesmo, como por exemplo, algumas pessoas que se abstêm de alguns alimentos para que emagreçam. De forma alguma é penitência, é somente vontade de emagrecer mascarada deste ato religioso. 
  O segundo é o JEJUM. É uma forma de penitência que se distingue das outras por seu imenso valor. De forma estrita, este ato é composto de uma refeição completa (geralmente o almoço) e duas refeições leves (comumente café da manhã e um lanche à tarde). Não se come entre essas refeições e muito menos se alimenta de doces, refrigerantes, guloseimas em geral, e principalmente, abstém-se de carne. Entretanto, na linguagem moderna a abstinência de carne (obrigatória na Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa, e segundo a tradição em todas as sextas-feiras do ano exceto em festas, relembrando a morte de Nosso Senhor em uma sexta- feira). O jejum “contribui para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos” (cf. Catecismo da Igreja Católica 2043). O jejum, desde que bem feito, tem caráter de purificação e de oração. O primeiro, pois nos liberta de algumas “amarras” que o pecado deixa em nós, prendendo-nos às “delícias do mundo”. A segunda, pois mostra ao Senhor que abdicamos de nos deliciar de algum (ns) alimento (s) para receber a contrição e o perdão de nossos pecados.
  O terceiro é a ORAÇÃO. Quando estamos buscando a conversão a oração é fundamental. Com ela entramos na presença de Deus e apresentamos nossas súplicas e nosso arrependimento. Rezar nos dá força. Cristo que o diga. Ele sempre rezava pedindo força e principalmente naquele tentação derradeira antes de sua prisão. Somos constantemente tentados a deixar o serviço de Deus, a aceitar as concupiscências da carne como coisas boas, a praticar atos ilícitos, etc. Quando rezamos obtemos mais força para suportar a cruz e lutar contra as forças do demônio.
  Não imagine que somente na Quaresma se reza, jejua, penitencia-se. De forma alguma. Sempre somos convidados a fazê-los para alcançarmos a bem-aventurança eterna. Nesse tempo somos chamados a intensificar esses atos, buscando a salvação. Cada pessoa tem só uma vida. Não imagine, como os espíritas, que vai ter outra vida para gastar buscando o céu. Se não o fizer o inferno será o fim da linha. Busquemos nesse tempo fazer brilhar a luz do Espírito que há em nós.
  Concluindo, nunca deixe de lado esse convite à conversão. Junto do desejo de mudar adicione jejuns, penitências, constantes orações e, principalmente, uma sede insaciável pela SANTIDADE.

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