Por Bruno Eduardo Vieira Santos
Sabemos que Jesus passou
40 dias no deserto (cf. Mc 1, 12-13)fazendo jejum e oração antes de
iniciar sua missão salvífica. E é assim a quaresma, um tempo em que nos
recolhemos em nós mesmos num deserto espiritual para reconhecermos as nossas
feridas de pecado e pedir perdão para que possamos mudar os rumos de nossa
vida.
Como já disse, Jesus passou esse tempo no deserto em preparação
à missão. E nós nos preparamos para a Páscoa, quando, Cristo ressuscitará dos
mortos. Uma preparação espiritual para que, quando Cristo ressurgir, estejamos
puros e dignos Dele. Não nos preparamos, entretanto, somente para o dia da
Páscoa celebrada aqui na terra, mas para a grande celebração celeste, o
banquete do Cordeiro, as bodas celestiais. Preparando-nos pela quaresma
estaremos cada vez mais preparados espiritualmente para a vida eterna.
A quaresma é ainda um tempo proposto como forma de enfraquecer
o nosso ser corrompido e fazer brilhar a luz que habita dentro de nós: o
Espírito Santo. Uma maneira de transformar o estilo pecaminoso em uma vida mais
pura, mais digna de participar da glória do Redentor.
Nesse tempo a liturgia nos traz textos em que Cristo
preparava-se para a consumação, quando extirparia o pecado da humanidade e lhe
daria uma vida nova. Obviamente, nem todos seguiram Jesus e assim, mesmo com o
pecado apagado, ajuntaram mais e mais faltas à sua alma, por isso muitos foram
condenados ao inferno, pois não escutaram a voz do Mestre. Queremos ser como
estes? Claro que não. Então preparemo-nos para a morte, quando seremos julgados
pelo que fizemos, e utilizemos esse tempo tão propício para nos convertemos.
Ainda no tema liturgia, convido-lhe para assistir todas as
missas possíveis para que acompanhe mais de perto toda a situação e os
acontecimentos da vida de Jesus no tempo próximo à sua morte.
Na quaresma temos alguns atos que distinguem-na dos outros
tempos.
O primeiro é a PENITÊNCIA. Através dela contrariamos a carne
para que possa se enfraquecer algum “eu” corrompido, como por exemplo, o “eu
guloso”, o “eu preguiçoso”, etc. Atinge-se algo que causa bem ao corpo ou aos
nossos gostos, muitas vezes causando até certo “sofrimento”, e este, quando
oferecido a Deus, serve-nos de oração e também para nos desprender de alguns
atos ou sentimentos. Enfim, a penitência é uma forma de nos tirar do comodismo
e nos levar a uma vida mais fervorosa e desapegada das coisas do mundo.
Entretanto, cabe aqui lembrar que penitências que agradem somente a si mesmo,
como por exemplo, algumas pessoas que se abstêm de alguns alimentos para que
emagreçam. De forma alguma é penitência, é somente vontade de emagrecer
mascarada deste ato religioso.
O segundo é o JEJUM. É uma forma de penitência que se
distingue das outras por seu imenso valor. De forma estrita, este ato é
composto de uma refeição completa (geralmente o almoço) e duas refeições leves
(comumente café da manhã e um lanche à tarde). Não se come entre essas
refeições e muito menos se alimenta de doces, refrigerantes, guloseimas em
geral, e principalmente, abstém-se de carne. Entretanto, na linguagem moderna a
abstinência de carne (obrigatória na Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira
Santa, e segundo a tradição em todas as sextas-feiras do ano exceto em festas,
relembrando a morte de Nosso Senhor em uma sexta- feira). O jejum “contribui
para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos” (cf. Catecismo da
Igreja Católica 2043). O jejum, desde que bem feito, tem caráter de purificação
e de oração. O primeiro, pois nos liberta de algumas “amarras” que o pecado
deixa em nós, prendendo-nos às “delícias do mundo”. A segunda, pois mostra ao
Senhor que abdicamos de nos deliciar de algum (ns) alimento (s) para receber a
contrição e o perdão de nossos pecados.
Não imagine que somente na Quaresma se reza, jejua, penitencia-se.
De forma alguma. Sempre somos convidados a fazê-los para alcançarmos a
bem-aventurança eterna. Nesse tempo somos chamados a intensificar esses atos,
buscando a salvação. Cada pessoa tem só uma vida. Não imagine, como os
espíritas, que vai ter outra vida para gastar buscando o céu. Se não o fizer o
inferno será o fim da linha. Busquemos nesse tempo fazer brilhar a luz do
Espírito que há em nós.
Concluindo, nunca deixe de lado esse convite à conversão.
Junto do desejo de mudar adicione jejuns, penitências, constantes orações e, principalmente,
uma sede insaciável pela SANTIDADE.
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